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O Guia Da Luz

1. Prólogo
As celebrações do Natal sucedem-se ano após ano.

Para além dos habituais ingredientes psicológicos pacientemente elaborados por comerciantes do mundo inteiro, durante os últimos decénios, para acicatar o consumismo nesta época, mais nada de novo nos trazem, do ponto de vista religioso histórico, que nos possam esclarecer algum dos muitos mistérios que cercam e compõem essa figura mentalmente impressionante que é Jesus o Cristo: O Filho do Homem, conforme ele mesmo se intitulou durante a sua obra de pregação, hoje testemunhada pelos Evangelhos escritos.

Os relatos da vida do Cristo chegaram até nós atolados em fantasia quanto baste.

Ultimamente, são já muitos os autores que escreveram os seus estudos e ensaios em busca do Jesus histórico, real, racional, liberto do mito e da lenda. Um destes autores é o conceituado historiador brasileiro Vamberto Morais. Ele escreveu:

«Sabemos muito mais a respeito de Sócrates, Alexandre ou César – todos eles homens que viveram antes de Cristo».

Vamberto Morais esforçou-se por nos fornecer uma ficha de identificação completa de Jesus: nome, filiação, local de nascimento, estado civil, profissão, residência, religião etc., mas falhou nos elementos de identificação mais importantes, como todos os outros autores.

Talvez a maior falha histórica na identificação de Jesus seja a sua filiação: A sua mãe, Maria, está perfeitamente identificada nos escritos do Novo Testamento, mas a identificação do seu verdadeiro pai biológico permanece o maior mistério.

Este trabalho destina-se, pois, a dirigirmos as nossas investigações sobre a paternidade de Jesus noutros sentidos, porventura ainda mais chocantes e inesperados do que aqueles que apontam para um pai incógnito devido à possível infidelidade de Maria para com o seu marido velho chamado José.

2. O Verbo Cristão
Na teologia cristã, muito antes de Jesus ter sido gerado carnalmente, havia o propósito de Deus para criar na Terra um homem perfeito a quem pudesse dar, em concessão terrena, o Reino dos Céus. Este propósito divino inicial consubstanciou-se num grande plano criativo, subjacente e necessário ao plano principal, a criação do Homem-Deus, sem o qual a simples criação do mundo não teria sentido. Foi com este plano fundamental (o Verbo) que Deus iniciou a criação d’Os Céus e a Terra presentes.

Por este raciocínio, é possível tentarmos compreender os primeiros e enigmáticos versículos do Evangelho segundo João:

João 1: 1 NO PRINCÍPIO ERA O VERBO, E O VERBO ESTAVA COM DEUS, E O VERBO ERA DEUS. 2 ELE ESTAVA NO PRINCÍPIO COM DEUS.

O Filho e o Pai, no princípio, não se distinguem um do outro. O Cristo, ou seja, o Homem-Deus ungido para reinar na Terra como salvador da humanidade e representante supremo do Reino Espiritual, não possuía, então, existência carnal; era apenas uma ideia, uma intenção ou um propósito de Deus ou, numa palavra, o Verbo, a centelha divina que fez deflagrar o seu grande plano criativo:

João 1: 3 TODAS AS COISAS FORAM FEITAS POR ELE (o Verbo) E, SEM ELE, NADA DO QUE FOI FEITO SE FEZ.

Todavia, este plano criativo fracassou depois de Deus ter dado a ordem:

Génesis 1: 26 FAÇAMOS O HOMEM À NOSSA IMAGEM, CONFORME À NOSSA SEMELHANÇA; E DOMINE SOBRE…

Porque o homem caiu na prova da tentação levada a cabo por um grupo de anjos que se rebelou e utilizou o encantamento através da mulher para induzir o homem à desobediência e, por isso, aqueles anjos foram representados pela Serpente.

O Verbo, preexistente ao acto criativo, não teve manifestação corpórea no tempo de Adão. Impunha-se, agora, um plano de salvação. Por isso, sempre segundo a teologia cristã, a encarnação do Verbo veio a fazer-se milhares de anos mais tarde em Jesus de Nazaré no exacto momento em que Maria, sua mãe, foi fecundada através do Espírito Santo.

3. A Perspectiva Profética Cristã
A teologia cristã não se ocupa do processo através do qual se realizou a encarnação do Verbo. Sobre este assunto, tece algumas considerações absolutamente pueris destinadas ao vulgo ignorante.

Todavia, nos anos subsequentes à ascensão de Jesus, parece que os primeiros cristãos, isto é, o núcleo daqueles que lhe estiveram mais próximos, tinham uma noção real da paternidade de Jesus, pois Lucas escreveu nos Actos:

Actos 2: 29 VARÕES IRMÃOS, SEJA-ME LÍCITO DIZER-VOS LIVREMENTE, ACERCA DO PATRIARCA DAVID, QUE ELE MORREU E FOI SEPULTADO, E ENTRE NÓS ESTÁ, ATÉ HOJE, A SUA SEPULTURA. 30 SENDO, POIS, ELE, PROFETA, E SABENDO QUE DEUS LHE HAVIA PROMETIDO, COM JURAMENTO, QUE DO FRUTO DOS SEUS LOMBOS, SEGUNDO A CARNE, LEVANTARIA O CRISTO, PARA O ASSENTAR SOBRE O SEU TRONO. 31 NESTA PREVISÃO, DISSE DA RESSURREIÇÃO DO CRISTO: QUE A SUA ALMA NÃO FOI DEIXADA NO HADES, NEM A SUA CARNE VIU A CORRUPÇÃO. 32 DEUS RESSUSCITOU A ESTE JESUS, DO QUE TODOS NÓS SOMOS TESTEMUNHAS.

Segundo Lucas, Jesus o Cristo é Filho (carnal) do Homem, através da descendência de David.

Mas, quem foi o pai biológico (carnal) de Jesus?

É uma pergunta sacrílega para os teólogos. No entanto, recorrendo à própria Bíblia, é possível esclarecer este mistério.

O apóstolo Saulo (cidadão romano Paulo, porque seria fisicamente de pequena estatura), primeiro organizador da Igreja do Cristo destinada aos gentios, na sua epístola aos romanos começa assim acerca do Filho de Deus:

Romanos 1: 3… QUE NASCEU DA DESCENDÊNCIA DE DAVID, SEGUNDO A CARNE, 4 DECLARADO FILHO DE DEUS, EM PODER, SEGUNDO O ESPÍRITO DE SANTIFICAÇÃO…

Jesus é, para Paulo, um descendente de David, segundo a carne, e Filho de Deus, segundo o espírito de santificação.

Maria, sua mãe carnal, está indicada nos Evangelhos; porém, as genealogias referidas em Mateus e Lucas terminam em José, marido de Maria, o que é normal, pois no sistema patriarcal judaico, as linhagens genealógicas seguiam a parte paterna.

José pertencia à casa de David, mas está bem claro nos Evangelhos que ele não foi o pai biológico de Jesus. Só os que não estavam por dentro do mistério é que presumiam ser José, como marido de Maria, o legítimo pai de Jesus:

Lucas 3: 23 E O MESMO JESUS COMEÇAVA A SER DE QUASE TRINTA ANOS, SENDO (COMO SE CUIDAVA) FILHO DE JOSÉ, E JOSÉ DE HELI,…

4: 22 E TODOS LHE DAVAM TESTEMUNHO, E SE MARAVILHAVAM DAS PALAVRAS DE GRAÇA QUE SAIAM DA SUA BOCA; E DIZIAM: “NÃO É ESTE O FILHO DE JOSÉ”?

Unicamente os Evangelhos de Mateus e Lucas apresentam a suposta genealogia de Jesus o Cristo. Se compararmos as duas genealogias, ficamos surpreendidos, porque elas não concordam entre si! Enquanto Lucas começa a genealogia às avessas, desde José (padrasto de Jesus) até Adão, Mateus só a inicia a partir de Abraão terminando igualmente em José… «marido de Maria, da qual nasceu JESUS, que se chama o Cristo (Mateus 1: 16)». Desde Abraão até David, as genealogias destes dois evangelistas concordam perfeitamente. Mas, a partir de David, a discordância é total! Imediatamente a seguir a David, Mateus nomeia Salomão enquanto Lucas nomeia Natan. Ora Natan e Salomão eram irmãos, filhos de David; irmãos direitos, filhos do mesmo pai e da mesma mãe:

Primeiro Livro das Crónicas 3: 5 E ESTES LHE NASCERAM EM JERUSALÉM: (…), E NATAN, E SALOMÃO. (…) LHE NASCERAM DE BATH-SHUA, FILHA DE AMIEL.

Ou haveria outro Natan? De facto:

Primeiro Livro dos Reis 1: 8 PORÉM, ZADOC, O SACERDOTE, E BENAIA, FILHO DE JOIADA, E NATAN, O PROFETA (…) 22 E, ESTANDO ELA (Batseba, mãe de Salomão) AINDA FALANDO COM O REI, EIS QUE ENTROU O PROFETA NATAN.

Natan, o profeta! Este Natan não era filho de David, pois:

Primeiro Livro dos Reis 1: 32 E DISSE O REI DAVID: “CHAMAI-ME A ZADOC, O SACERDOTE, E A NATAN, O PROFETA (…)

A genealogia que Lucas apresenta a partir de Natan é muito estranha. É uma mistura de profetas e sacerdotes em que aparecem vários nomes repetidos. É uma linhagem profético-sacerdotal. O Evangelho de Mateus apresenta uma linhagem real desde David até Jeconias (ou Joacaz), mas logo a seguir surge uma concordância desconcertante com Lucas quando se refere a Salatiel e Zorobabel, dois sacerdotes, sendo o primeiro pai do segundo, e que viveram no tempo de Ciro, rei da Pérsia; a partir daqui, Mateus apresenta uma genealogia sacerdotal, tal como Lucas, mas totalmente diferente deste, não só nos nomes mas também no número de indivíduos envolvidos.

Há ainda outro pormenor na suposta genealogia do Cristo segundo Lucas que merece ser referido: aparece o nome de Cainan entre Arfaxad e Sala que nos deixa baralhados. No Antigo Testamento não se encontra nenhuma referência a Cainan, filho de Arfaxad:

Génesis 11: 12 E VIVEU ARFACHAD TRINTA E CINCO ANOS E GEROU SELA. 13 E VIVEU ARFACHAD, DEPOIS QUE GEROU SELA, QUATROCENTOS E TRÊS ANOS; E GEROU FILHOS E FILHAS. 14 E VIVEU SELA TRINTA ANOS, E GEROU EBER.

Primeiro Livro das Crónicas 1: 18 E ARFAXAD GEROU SELA: E SELA GEROU EBER.

De que genealogia tirou Lucas aquele nome de Cainan que figura entre Arfaxad e Sela? É que existiu um patriarca com este nome, mas era filho de Enos e pai de MaAlalel (Génesis 5: 9, 12) e que Lucas refere no seu lugar certo (Lucas 3: 37, 38).

Existem mais algumas irregularidades que poderiam ser aqui apontadas.

Não havendo qualquer explicação para estes factos, temos de considerar as duas genealogias, respectivamente de Mateus e Lucas, manifestamente contraditórias, parcialmente fictícias, as quais, a partir de David, em nada dizem respeito a Jesus o Cristo. Com efeito, essas genealogias, a partir de David, não merecem qualquer crédito, visto que não terminam em Jesus. Percebemos que foram intencionalmente distorcidas e desviadas por motivos óbvios. Tanto os autores de Mateus como de Lucas sabiam o que estavam a fazer.

O apóstolo Paulo também desprezou tais genealogias e disso deu conta:

Primeira Epístola a Timóteu 1: 3 (…) PARA ADVERTIRES A ALGUNS, QUE NÃO ENSINEM OUTRA DOUTRINA, 4 NEM SE DÊEM A FÁBULAS OU A GENEALOGIAS INTERMINÁVEIS, QUE MAIS PRODUZEM QUESTÕES DO QUE EDIFICAÇÃO DE DEUS, QUE CONSISTE NA FÉ, ASSIM O FAÇO AGORA.

4. DAVID: O HOMEM
Do que foi exposto, resulta um grande contra-senso para os pesquisadores de factos históricos. Os historiadores oficiais vêem nos Evangelhos uma narrativa mentirosa sobre o nascimento de Jesus, especialmente forjada para néscios e ignorantes.

Se Maria contribuiu com um óvulo, de onde veio o espermatozóide que o fecundou, gerando Jesus, e qual foi o processo da sua colocação no útero da Virgem?

Ou por que processo milagroso, absolutamente interditado à Ciência humana, é que Deus suscitou dentro de Maria a célula reprodutora masculina?

Este mistério tem de ser posto assim mesmo, abertamente, sem rodeios, com toda a crueza que esta atitude implica, pois é sabido actualmente que a causa primeira da formação de um ser humano é a união de um espermatozóide a um óvulo; um e outro só podem ser produzidos, respectivamente, por um homem e por uma mulher.

O caso da concepção de Jesus, tal como os teólogos dogmáticos da cristandade sustentam, é deveras complicado para a Ciência actual, não quanto ao óvulo que teve origem biológica no sistema reprodutivo de Maria e onde teve também lugar a maternidade de Jesus, mas sim quanto à paternidade.

O Sagrado Alcorão não resolve o mistério da paternidade humana de Jesus, não obstante rejeita-lhe a paternidade divina no sentido literal:

Alcorão 4: 172 Oh Povo do Livro, não excedei os limites na vossa religião e coisa alguma dizei de Allah que não seja a verdade. Verdadeiramente, o Messias, Jesus, filho de Maria, foi apenas um mensageiro de Deus e um cumprimento da sua Palavra, que Ele enviou a Maria, e uma mercê da Sua parte. De modo que acreditai em Allah e seus Mensageiros, e não dizei “Eles são três”. Desisti, será melhor para vós. Na verdade, Allah é o único Deus. Longe está da Sua Santidade que Ele tivesse um filho. A Ele pertence tudo o que está nos céus e tudo o que está na terra; e bastante é Allah como guardião!»

Este versículo tem como destinatário a Igreja cristã de Roma a qual proclama o dogma da Santíssima Trindade em que Jesus é o filho único de Deus e consubstancial ao Pai em parceria com o Espírito Santo.

O seguinte versículo do Alcorão, ao associar os nomes de David e Jesus, parece querer indicar um indício:

«5: 79 Aqueles dentre os filhos de Israel que descreram, foram amaldiçoados pela língua de David e de Jesus, filho de Maria. Isso foi porque eles desobedeceram e costumavam transgredir.» (Ler todo o Capítulo 5).

Mas Paulo é bem claro: Jesus descende de David segundo a carne e a Deus apenas se concede a paternidade espiritual.

Como poderemos resolver este problema?

Analisemos novamente como Lucas descreve a famosa cena evangélica da anunciação protagonizada pelo anjo Gabriel, o mesmo que apareceu depois (610 EC) ao profeta Maomé:

Lucas 1: 30 DISSE-LHE, ENTÃO, O ANJO: “MARIA, NÃO TEMAS, PORQUE ACHASTE GRAÇA DIANTE DE DEUS; 31 E EIS QUE EM TEU VENTRE CONCEBERÁS E DARÁS À LUZ UM FILHO, E PÔR-LHE-ÁS O NOME DE JESUS. 32 ESTE SERÁ GRANDE, E SERÁ CHAMADO FILHO DO ALTÍSSIMO; E O SENHOR DEUS LHE DARÁ O TRONO DE DAVID, SEU PAI; 33 E REINARÁ ETERNAMENTE NA CASA DE JACOB, E O SEU REINO NÃO TERÁ FIM”.

Como vemos, Lucas vai mais longe do que Paulo: DAVID é referido como sendo PAI de Jesus!

Maria não era ignorante em assuntos de procriação. Ela sabia bem que eram necessárias relações sexuais para que pudesse conceber. Ora, por um lado ainda não se tinha ajuntado ao seu marido José em virtude dos costumes judaicos da época em matéria de noivado, por outro lado o anjo propunha que Maria não iria ter relações sexuais, com o seu marido ou qualquer outro homem, para conceber Jesus. Ela faz sentir a sua estranheza ao anjo anunciador:

Lucas 1: 34 E DISSE MARIA AO ANJO: “COMO SE FARÁ ISTO, VISTO QUE NÃO CONHEÇO VARÃO”?

35 E, RESPONDENDO O ANJO, DISSE-LHE: “DESCERÁ SOBRE TI O ESPÍRITO SANTO E A VIRTUDE DO ALTÍSSIMO TE COBRIRÁ COM A SUA SOMBRA; PELO QUE, TAMBÉM, O SANTO QUE DE TI HÁ-DE NASCER, SERÁ CHAMADO FILHO DE DEUS”.

É nítida a dupla paternidade de Jesus, a carnal por parte de David e a espiritual por parte de Deus, confessada nos próprios Evangelhos. Mas como? Em que sentido poderia Jesus ser filho de David se este havia vivido cerca de MIL ANOS antes daquele?

Esta revelação profética veiculada no seio do judaísmo de então embaraçava os fariseus messiânicos os quais, embora acreditando nela, não sabiam a solução do mistério.

O próprio Jesus não negou tal paternidade e fez dela um enigma insolúvel para o seu tempo:

Mateus 22: 41 E, ESTANDO REUNIDOS OS FARISEUS, INTERROGOU-OS JESUS, 42 DIZENDO: “QUE PENSAIS VÓS DO CRISTO? DE QUEM É FILHO”? ELES DISSERAM-LHE: “DE DAVID”.

43 DISSE-LHES ELE: “COMO É, ENTÃO, QUE DAVID, EM ESPÍRITO, LHE CHAMA SENHOR, DIZENDO: 44 DISSE O SENHOR AO MEU SENHOR: ASSENTA-TE À MINHA DIREITA, ATÉ QUE EU PONHA OS TEUS INIMIGOS POR ESCABELO DOS TEUS PÉS? 45 SE DAVID, POIS, LHE CHAMA SENHOR, COMO É SEU FILHO”?

46 E NINGUÉM PODIA RESPONDER-LHE UMA PALAVRA…

Os fariseus ficaram mudos porque não sabiam a solução do mistério.

Mas Jesus sabia!…

E David, que viveu mil anos antes, também sabia?

Em certo momento do seu reinado, David manifestou o desejo de construir um templo dedicado a Deus. Ao tomar conhecimento deste projecto, Deus mandou recado a David pelo profeta Natan:

Segundo Livro de Samuel 7:12 QUANDO OS TEUS DIAS FOREM COMPLETOS, E VIRES A DORMIR COM TEUS PAIS, ENTÃO FAREI LEVANTAR DEPOIS DE TI A TUA SEMENTE, QUE SAIR DAS TUAS ENTRANHAS, E ESTABELECEREI O SEU REINO. 13 ESTE EDIFICARÁ UMA CASA AO MEU NOME, E CONFIRMAREI O TRONO DO SEU REINO PARA SEMPRE. EU LHE SEREI POR PAI, E ELE ME SERÁ POR FILHO.

Numa primeira abordagem a estes versículos, parece não haver dúvida de que Deus falou a respeito de Salomão, Filho de David mas que ainda não era nascido, o qual haveria de suceder a seu pai como rei de Israel. Mas estará esta conclusão absolutamente certa? Não haverá algum sentido oculto nestes versículos? Na verdade, muitos anos mais tarde, foi atribuída a Salomão a tarefa de realizar a construção de uma casa para o Senhor:

Primeiro Livro das Crónicas 28: 5 E, DE TODOS OS MEUS FILHOS (PORQUE MUITOS FILHOS ME DEU O SENHOR), ESCOLHEU ELE A MEU FILHO SALOMÃO PARA SE ASSENTAR NO TRONO DO REINO DO SENHOR, SOBRE ISRAEL. 6 E ME DISSE: TEU FILHO SALOMÃO, ELE EDIFICARÁ A MINHA CASA E OS MEUS ÁTRIOS, PORQUE O ESCOLHI PARA FILHO, E EU LHE SEREI POR PAI. 7 E ESTABELECEREI O SEU REINO, PARA SEMPRE, SE PERSEVERAR EM CUMPRIR OS MEUS MANDAMENTOS E OS MEUS JUÍZOS, COMO ATÉ AO DIA DE HOJE.

Depois das cerimónias da consagração do Templo, o Senhor apareceu de noite a Salomão e adverte-o de que só lhe confirmará o trono do reino se ele guardar os estatutos, juízos e mandamentos. (II Livro das Crónicas 7: 11 a 22).

Todavia, o reino de Salomão não foi estabelecido para sempre! De facto, ainda em vida, no fim do seu reinado, o próprio rei Salomão se entregou à idolatria, desonrando os mandamentos e os juízos divinos:

Primeiro Livro dos Reis 11: 11 PELO QUE, DISSE O SENHOR A SALOMÃO: POIS QUE HOUVE ISTO EM TI, QUE NÃO GUARDASTE O MEU CONCERTO E OS MEUS ESTATUTOS, CERTAMENTE RASGAREI DE TI ESTE REINO, E O DAREI A TEU SERVO.

O opulento reino de Israel erguido por David e consolidado por Salomão entrou em queda logo a seguir à morte deste. A monarquia israelita foi um fugaz clarão na história do mundo. Até a casa que Salomão edificara ao Senhor, o Templo de Jerusalém, acabou por ser totalmente destruída, volvidos cerca de quatrocentos anos, no tempo de Nabucodonosor, rei de Babilónia. Portanto, não era de Salomão que Deus falava a David, mas de um outro seu descendente a quem Deus confirmaria o trono do seu reino para sempre. Por esta revelação secreta, David prestou louvor ao Senhor e disse a certa altura:

Segundo Livro de Samuel 7: 19 (…) TAMBÉM FALASTE DA CASA DO TEU SERVO PARA TEMPOS DISTANTES.

O texto é bem claro: «… FAREI LEVANTAR DEPOIS DE TI A TUA SEMENTE, QUE SAIR DAS TUAS ENTRANHAS…» em «TEMPOS DISTANTES», ou seja, num futuro longínquo.

Ora, o Novo Testamento reivindica para Jesus Nazareno a paternidade de David! Isto implicaria uma genealogia que começasse em David e terminasse em Jesus; mas onde está essa genealogia nos textos sagrados?

Em outro passo do Antigo Testamento, lê-se em relação a David:

Primeiro Livro das Crónicas 17: 11 (…) SUSCITAREI A TUA SEMENTE DEPOIS DE TI, A QUAL SERÁ DOS TEUS FILHOS (…).

A semente de David é separada dele e será suscitada depois de ele morrer!

Será David o pai biológico de Jesus? Como é isto possível?

Para entrarmos neste mistério, teremos de fazer intervir uma hipótese assombrosa. Se esta hipótese se revelar inviável, então, sustentamos que o cristianismo se fundamenta em narrativas sem qualquer nexo.

Antes, porém, e para que não hajam dúvidas, repetiremos que o Cristo, à luz das profecias e para aqueles que creram ser Jesus Nazareno (habitante de Nazaré), era considerado filho de David pela mais variada gente que estava dentro do assunto, desde sacerdotes até aos mais simples do povo, como, por exemplo, aquele cego de Jericó (Marcos 10: 47, 48).

Mateus 12: 23 E TODA A MULTIDÃO SE ADMIRAVA E DIZIA: “NÃO É ESTE O FILHO DE DAVID”?

(Compara com Marcos 12: 35 a 37).

Os discípulos de Jesus interpretavam as profecias a ele referidas como sendo filho de David:

Actos 13: 22 (…) LHES LEVANTOU, COMO REI, DAVID, AO QUAL TAMBÉM DEU TESTEMUNHO, E DISSE: ACHEI DAVID, FILHO DE JESSÉ, VARÃO CONFORME O MEU CORAÇÃO, QUE EXECUTARÁ TODA A MINHA VONTADE. 23 DA DESCENDÊNCIA DESTE, CONFORME A PROMESSA, LEVANTOU DEUS JESUS, PARA SALVADOR DE ISRAEL.

Quanto aos profetas do Antigo Testamento, vejamos:

Isaías 11: 1 PORQUE BROTARÁ UM REBENTO DO TRONCO DE JESSÉ, E DAS SUAS RAÍZES UM RENOVO FRUTIFICARÁ. (…) 10 E ACONTECERÁ, NAQUELE DIA, QUE AS NAÇÕES PERGUNTARÃO PELA RAIZ DE JESSÉ, POSTA POR PENDÃO DOS POVOS, E O LUGAR DO SEU REPOUSO SERÁ GLORIOSO.

Jeremias 23: 5 EIS QUE VÊM DIAS, DIZ O SENHOR, EM QUE LEVANTAREI A DAVID UM RENOVO JUSTO; E, SENDO REI, REINARÁ, E PROSPERARÁ, E PRATICARÁ O JUÍZO E A JUSTIÇA NA TERRA.

Ora, Isaías e Jeremias viveram muito depois de Salomão, quando o tabernáculo de David já estava caído.

Os textos sagrados, quando interpretados na sua simplicidade, dizem-nos claramente que Jesus é filho biológico de David (segundo a carne) e Filho espiritual de Deus (segundo o Espírito). Esta é a doutrina mestra, gnóstica, do apóstolo Paulo acerca do Verbo que se fez carne.

Sem dúvida, esta perspectiva de estudo impõe-nos uma hipótese, no mínimo, tremendamente ousada:

A célula reprodutora masculina, possivelmente contendo um código genético aperfeiçoado ao mais alto grau, proveio do sistema biológico reprodutor de David, rei de Israel, sendo dele retirada e conservada algures nos Céus, por seres divinos (Anjos), durante cerca de mil anos (tempo terrestre) e foi, por fim, inseminada artificialmente no sistema biológico reprodutivo de Maria, ainda virgem.

De que outra forma se poderá compreender cientificamente o versículo?

Lucas 1: 35 E, RESPONDENDO O ANJO, DISSE-LHE: “DESCERÁ SOBRE TI O ESPÍRITO SANTO E A VIRTUDE DO ALTÍSSIMO TE COBRIRÁ COM A SUA SOMBRA; PELO QUE, TAMBÉM, O SANTO QUE DE TI HÁ-DE NASCER, SERÁ CHAMADO FILHO DE DEUS”.

Finalmente, no Apocalipse de João, é dito:

Apocalipse 5: 5 (…) EIS AQUI O LEÃO DA TRIBO DE JUDÁ, A RAIZ DE DAVID.

Neste mesmo livro, é o próprio Jesus quem diz pela boca do seu anjo (mensageiro):

Apocalipse 22: 16 EU, JESUS, ENVIEI O MEU ANJO, PARA VOS TESTIFICAR ESTAS COISAS NAS IGREJAS. EU SOU A RAIZ E A GERAÇÃO DE DAVID, A RESPLANDECENTE ESTRELA DA MANHÃ.

Quem é a resplandecente estrela da manhã? David ou Jesus? Ou os dois juntos?

Sabemos que David usava como símbolo uma curiosa estrela de seis pontas constituída por dois triângulos equiláteros entrelaçados, concêntricos, um deles com o vértice para cima e o outro com o vértice para baixo. É a chamada Estrela de David ou Selo de Salomão.

Esta estrela ostenta-se na bandeira do moderno Estado de Israel.

Mas também pode ser uma referência à Estrela Pentagonal Flamejante com um vértice para cima, simbolizando o “Porta Luz” Verdadeiro que destronou o “porta luz” falso (um vértice para baixo), simbolizado também pelo planeta Vénus, a famosa “Estrela da Manhã” das antigas mitologias.

Jesus intitulou-se como sendo o filho do homem.

Será DAVID, o terceiro Rei do antigo Israel, O HOMEM?

5. O aspecto fisionómico de Jesus
Há alguns anos (não me recordo quantos) num programa patrocinado pela BBC e transmitido na televisão portuguesa durante a comemoração e festejo da Páscoa, foi proposta a reconstituição do aspecto fisionómico de Jesus o Cristo. Trabalho difícil, dado que nos Evangelhos não transparece a mais leve referência ao seu aspecto físico. Apesar de tudo, é proposta uma reconstituição com base em crânios encontrados por toda a Palestina cujo estudo revelou uma predominância de certo tipo humano que vivia nas regiões da Galileia na época do Cristo. Daí resultou um parecer fisionómico que, provavelmente, satisfaz as actuais exigências de apaziguamento dos conflitos entre palestinianos e judeus, já que um Cristo com aspecto de miscigenação é certamente conveniente.

É uma hipótese como outra qualquer mas que terá surpreendido os cristãos de um modo geral pois habituaram-se a uma imagem de Jesus fortemente sugestionada por gravuras e pinturas de artistas em que Ele é mostrado com cabelos compridos levemente ondulados e de fisionomia delicada.

Algumas tradições cristãs antigas referiram um Cristo loiro e de olhos azuis, bem ao gosto das raças nórdicas.

Tudo isto é subjectivo, já que os indivíduos de cada raça humana gostariam que lhes fosse anunciado um Cristo com fisionomia semelhante. É pertinente recordar a questão de se saber se Deus é branco ou preto, ou se é uma mistura de todas as raças. Mas todas as discussões são infinitas e inconclusivas, porque esbarram num Deus antropomorfizado o que não é de forma alguma aceite nem por deístas nem por teístas.

Entretanto, vamos procurar passar do abstracto para o concreto. Propusemos uma hipótese incrivelmente ousada em que Jesus seria o filho biológico de David o qual foi o mais importante rei do antigo Israel e que viveu cerca de mil anos antes. Um absurdo que talvez contenha a virtude de explicar outros absurdos.

Se, por puro exercício especulativo, admitirmos a hipótese de Jesus ser filho carnal de David, será natural que o filho tenha herdado traços fisionómicos do pai. De facto, o Antigo Testamento refere o aspecto físico e fisionómico de David! Ele era um homem forte e dotado de grande destreza, pelo que não se intimidou ao enfrentar, apenas com uma funda de pastor, o temível guerreiro gigante filisteu chamado Golias. Observa o seguinte fragmento desta fabulosa aventura:

Primeiro Livro de Samuel «17: 42 E, olhando o filisteu, e vendo a David, o desprezou, porque era mancebo, ruivo, e de gentil aspecto.»

Ali estava David: um jovem de 24 anos, ruivo e de gentil aspecto. Esta é a nossa única base para propormos o aspecto fisionómico de Jesus, dado que Ele mesmo reivindica a paternidade de David:

Apocalipse «22: 16 Eu sou a raiz e a geração de David…»

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