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Somo as minhas vivências daqui e de ali, compreendo o resultado: quanto mais simples for a vida cotidiana, reduzida ao essencial, maior espaço sobra para a espiritualidade, caminho em linha recta para a felicidade.

Em geral nós gostamos (demasiado) e somos (medrosamente) apegados às materialidades, como se elas pudessem resolver tudo na vida. Essa ideia pré-concebida, mal explicada, leva ao engano e custa um esforço insensato, investimento que cada um de nós deve questionar se realmente compensa.

Não há nenhuma indicação de que são as coisas que fazem as pessoas felizes. De facto, parece o contrário: os objectos têm uma tendência a piorar as necessidades emocionais ao invés de apoiá-las. Eles pesam como uma bola de ferro mental, subtil e enganosa, que acabamos arrastando com o comprometimento de grande parte da nossa capacidade de viver.

Gostamos de acumular e isso acaba, quando ultrapassa (como costuma acontecer) uma fronteira de bom-senso, gerando infelicidade e ansiedade. Reparou como as pessoas consumistas são antissociais? Por mais que tenham em abundância, parecem nunca estarem contentes, equilibradas, fruindo do bem-estar que já possuem. É como se carregassem pela vida um vazio nunca preenchido; vazio interior, aquele que apenas poderia encontrar sentido no crescimento espiritual.

Se você concorda comigo, e com tanta gente centrada e competente espalhada por esse mundão afora, comece com um exame de consciência. Pense na acumulação irrefletida e exagerada em contraste com o que é suficiente. Avalie se as coisas que são suas trazem com elas algum tipo de sentimento. Mantenha as positivas (e úteis) e desfaça-se das negativas (atravancadoras). No começo é difícil, mas depois você vai ver que abandonar o que é supérfluo é experiência com gostinho de liberdade, alivia o peso da existência.

Não precisa se tornar um asceta. Fique com aquilo que gera conforto de fato, que colabora para se viver com dignidade. O segundo passo é refletir, para aprimorar as experiências futuras, sobre os perigos da compulsão, dos desperdícios e dos excessos. Para fechar sua crítica, indague se a corrida frenética – apresentada exaustivamente como a melhor das opções para todos – é mesmo o modelo a ser seguido. Olhe detalhadamente e busque a distinção entre poder e poder artificial.

Por fim, como a experiência vem me ensinando, você vai aceitar que viver de forma modesta não significa viver no vazio, e sim numa outra plenitude, compensadora.

 

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