O Guia Da Luz
Chama-se Deus à energia cósmica primordial que deu origem a tudo. Esses conceito amplo é frequentemente atribuído a deuses de algumas religiões, como por exemplo, a judaico-cristã-muculmana, que cultuam o mesmo Deus, em decorrência disso, a maioria das pessoas do ocidente identifica a fonte criadora suprema com o género masculino, chamam-na pai, ou criador, quando na verdade, a coisa mais lógica, e reconhecida por várias outras religiões, é que ela possua carácter masculino/feminino, afinal, é a mãe que traz a vida ao mundo, que é normalmente associada a ideia de geração, associada com a força activa do pai, do homem.

A Mãe/Pai Suprema é uma força neutra e não dualista. Se fosse dual, ou seja, se possuísse uma contrapartida energética de igual poder, não seria suprema e assim não haveria uma única vontade criadora expressada em tudo que existe. Em outras palavras, a uniformidade da aplicação das leis naturais em todo o universo prova que a Fonte Primária de todas as coisas não é dualista.

Tal Fonte, sendo infinita, é incompreensível para nós, que temos força finita e potencial infinito. Como disse o avatar Krishna, apenas o infinito pode compreender o infinito, então, apenas Deus pode compreender Deus.

Deus, ou a Deusa, se manifesta de diversas formas no universo, podemos fazer uma analogia entre ela e o inverno. Quando o inverno vem, ele se manifesta na chuva caindo, na terra molhada, nas ervas do campo que nascem, nas árvores que ficam com verdor mais vivo, mas também se manifesta nas enchentes, no frio, etc. Todos esses aspectos são manifestações da mesma força, consequências naturais de sua existência e nenhum deles transmite a essência do inverno como um todo.

Como  isso se aplica a força criadora? Simples, Deus também é uma energia que se manifesta de diversas formas. Gera a vida, gera a morte, gera o fogo, gera a água. E nenhum desses elementos isoladamente reflecte toda a essência do que seja Deus. Disso também decorre outra forte evidencia contra o dualismo, pois, se Deus equilibra todo o universo através desses opostos, ele mesmo não pode ter um uma força oposta, pois a lei dos opostos é criação sua e não algo que lhe preexiste. Apenas o conjunto de todos esses elementos poderia nos passar uma ideia correta e totalmente desprovida de duvidas de equívocos sobre a natureza divina, porém nossa capacidade é limitada. Nisso consiste também a essência do significado da caminhada espiritual. Não se trata apenas de um progresso intelectual e moral sem um propósito específico além de si mesmo. É, em última análise, uma jornada do ser para entender seu criador, consequentemente, uma jornada para saber exactamente o que se é e o que se faz nesse mundo, uma jornada em busca de si mesmo.

Então, como é evidenciado pelos fatos históricos, a cultura humana tratou de personificar e atribuir nomes a algumas dessas manifestações da divindade maior. Criou-se assim, os chamados deuses arquétipos, como exemplo, Thor, o deus do trovão, Hades, Osíris e Kali, deuses da morte. Esta classe de divindades é a mais comum de todas, além delas, há mais outras duas classes dignas de notas.

A primeira são os deuses maiores, chamados na cultura hindu de mahadeva, que não só representam manifestações da força suprema, como são ao mesmo tempo aspectos da  própria força., os exemplos hindus são Brahma, Vishnu e Shiva, criador, mantenedor e destruidor. Poderíamos dizer que o conceito da trindade cristã também representam deuses maiores, embora de uma forma  diferente.

A segunda classe são os deuses egrégoras, ou seja, aqueles que nascem ou fortificam-se apenas em virtude da fé que um conjunto de pessoa nutre por eles. Esses deuses se originam de diversas formas, uma delas é a partir da distorção da figura de um avatar ou de um ser humano normal. Por exemplo, Jesus Cristo, que de mestre no caminho da evolução foi transformado por alguns seguimentos religiosos em uma divindade encarnada que se sacrificou para apagar os pecados daqueles que o tiverem como salvador.  Outro exemplo desse tipo de divindade são os deuses tribais ou protectores de um povo, como Yahveh, Deus dos hebreus, que a despeito desta origem passou a ser considerado por seus seguidores como a inteligência criadora suprema, seguidores estes que em sua maioria ignoram o caminho que esta divindade percorreu.

Quando se trata do papel na ordem cósmica do universo, as divindades arquétipos possuem natureza bem mais estável por serem manifestações da própria energia criadora, a grande mãe/pai. Não dependendo directamente da fé para que existam, embora possam servir de canal entre o devoto e a consciência suprema.

Uma vez que não compreendemos a mãe/pai criadora suprema, facilita bastante a caminhada até ela a sintonização com um arquétipo positivo de uma de suas manifestações físicas, assim como seguir o ensinamento de avatares que já estão bem mais adiantados que nós no trajeto. Porém, é preciso sempre extremo cuidado com as personificações de divindades criadas e/ou fortalecidas pela crença humana (egrégoras), pois o caminho pelo qual uma força assim nos leva pode ser completamente destoante do caminho rumo a Deus. Como prova disso, basta observar o abismo para onde a civilização ocidental está caminhando, para onde ela está direccionado toda a sua energia. Qual a divindade da civilização ocidental? De quem as massas seguem os ensinamentos? Não são ensinamentos de amor universal nem de evolução espiritual, e sim ensinamentos de violência e intolerância. É uma escolha que fazemos, e há um preço a pagar por ela, e a ordem cósmica já está começando a cobrança.

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