O Guia Da Luz

Os Mitos de Cthulhu (do inglês, Cthulhu Mythos) é o termo usado pelo escritor August Derleth como referência ao panteão de monstros e seres fantásticos que habitam os contos de ficção científica e horror de Howard Phillips Lovecraft. Subsequentemente, o termo também é usado pelas gerações de escritores influenciados por sua vida e obra.

Cthulhu teve sua primeira referenciação no conto “O Chamado de Cthulhu” (do inglês The Call of Cthulhu), na forma de uma estatueta de argila, representando um híbrido de octópode, ser humano, e dragão (de acordo com descrições do próprio autor). Ele está ligado ao mito dos Grandes Antigos (do inglês Great Old Ones), que surgem constantemente ao longo de toda sua obra, como em Nas Montanhas da Loucura (At the Mountains of Madness), A Sombra Fora do Tempo (Shadow Out of Time), Um Sussurro nas Trevas (Whisperer in Darkness), entre outros. Segundo os Mitos, a Terra teria sido habitada, há biliões de anos, por criaturas que aqui teriam chegado antes que nosso planeta fosse capaz de gerar ou sustentar vida por si próprio. Eles, e não Deus, teriam criado a vida: o próprio Homem seria uma criação deles, gerada unicamente por escárnio e servitude. Em contos posteriores, fica implícito que os Grandes Antigos seriam criadores do próprio universo, e de todos os seres nele presentes. Isso foi suficiente para que Lovecraft fosse considerado pelas igrejas fundamentalistas do mundo inteiro, que acreditam na versão da criação bíblica, como blasfemo. Os Grandes Antigos teriam Cthulhu como um de seus líderes (de acordo com os contos, seria o Alto Sacerdote, responsável pelo ressurgimento de todos os outros quando as estrelas estivessem alinhadas devidamente), embora existam outros monstros na “Literatura Lovecraftiana” ainda mais estranhos e cruéis, como o Demónio-Sultão Azathoth. Os Mitos são uma metáfora para a insignificância humana diante da magnitude do Universo: mais do que malevolentes, os monstros dos Mitos são, na verdade, friamente indiferentes à existência e sofrimento humanos, encarnando as verdadeiras forças da Natureza.

Os Mitos segundo Derleth
Após a morte de Lovecraft, Derleth se tornou o mais famoso escritor a incorporar os Mitos em sua histórias. Mas Derleth o fez segundo sua própria visão, incorporando propriedade do cristianismo e do dualismo aos Mitos, tornando-os uma batalha do Bem contra o Mal, ao invés do universo caótico, cruel e desprovido de sentido que caracterizava os contos lovecraftianos. Muitos leitores de Lovecraft consideram a intervenção de Derleth prejudicial à obra original. Lovecraft era ateu e afirmava que os valores éticos ocidentais, pregados por Kant, eram uma piada. Os Mitos, na visão de Lovecraft, não foram criados como uma mitologia coesa, e sim como uma colectânea de ideias que poderiam ser usadas para provocar as mesmas emoções. Coloca-los como parte de uma batalha entre bem e mal seria tirar deles o que os tornava incomparavelmente hediondos: um propósito além de nossa compreensão, e uma brutal e cruel indiferença em relação a condição humana.

O Cthulhu fez o ruído?
Em 1997, a Marinha dos Estados Unidos detectou um misterioso som no fundo do Oceano Pacífico. Os microfones colocados embaixo d’água, originalmente para direccionar os submarinos soviéticos durante a Guerra Fria, registaram um som repetitivo e alto em um nível muito baixo, próximo ao S 50, W 100. Ao acelerar digitalmente o som (que, inalterado, dura mais que um minuto), é como um “ruído”. O barulho assemelha-se ao de uma baleia, mas biólogos afirmam que teria que ser uma baleia muito maior do que qualquer uma já vista pelo homem para fazer o barulho. Alguns fãs de Lovecraft sugerem que o ruído vem do Cthulhu, já que possivelmente ele ronca dentro das paredes de R’lyeh.

Ritual de Comunhão com Cthulu
São necessários quatro participantes neste Ritual de Comunhão com Cthulhu, o Sumo Sacerdote dos Antigos: o hospedeiro de Cthulhu, o sacerdote ou sacerdotisa e os dois adoradores.

O Templo de Cthulhu deverá estar escassamente iluminado, e o incenso de Neptuno é queimado para infundir ao ar uma atmosfera submarina (evocando a submersa R’lyeh). Nenhum imagem ou ícone do Deus devem estar presente no Templo, pois a manifestação deve se fazer presente através do hospedeiro. Nenhuma declaração deve ser utilizada, assim como nenhum robe ornamental.

As seguintes armas mágicas serão utilizadas:

A Adaga: para traçar o Símbolo dos deuses mais antigos;

O Cálice: para se receber a Comunhão do Hospedeiro de Cthulhu, e para ser compartilhado entre os membros do Ritual (antes do ritual ter início o cálice deve ser enchido com água salgada, o meio de transmissão de Cthulhu para sua Comunhão, também simbolizando o túmulo marítimo do Grande Cthulhu);

Dois Tambores Rituais também são utilizados, um por cada Adorador.

O Trapezóide Simétrico da Invocação é desenhado com giz branco ou azul, seu ângulo mais curto voltado para o Oeste (R’lyeh). O celebrante que deve ser o hospedeiro se senta dentro do Trapezóide deste lado, voltado para o lado de dentro. O Sacerdote ou Sacerdotisa se sentam em direcção ao Leste, voltados para o Hospedeiro. Os adoradores tomam suas posições ao Norte e ao Sul, nos ângulos do Trapezóide. Uma vez que surge o silêncio o ritual tem início.

De pé o Sacerdote ou Sacerdotiza de Cthulhu realizam o banimento primário traçando o Símbolo dos Deuses mais Antigos (pentagrama apontado para cima) em direcção aos quatro pontos cardeais, começando com o Oeste e seguindo em sentido anti horário (o traçado do Símbolo dos Deuses mais Antigos se inicia de baixo para cima do ponto esquerdo inferior). Os nomes Sagrados de cada um dos Antigos são pronunciados cada vez que cada pentagrama é traçado: para Oeste, CTHULHU; para o Sul, YOG-SOTHOTH; para o Leste, HASTUR e para o Norte, SHUB-NIGGURATH.

O Sacerdote ou Sacerdotisa volta à posição de sentado diante do Hospedeiro e faz o Chamado para Cthulhu:

“Ph’nglui mglw’nafh Cthulhu R’lyeh wgah’nagl fhtan”
(Em sua morada em R’lyeh, Cthulhu morto, jaz sonhando)

O Hospedeiro e os Adoradores respondem ao chamado:

“Ia! Ia! Cthulhu fhtagn”
(Sim! Sim! Cthulhu sonha!)

O Sacerdote ou Sacerdotiza começa agora a entoar a Chamada para Cthulhu em sua forma resumida, como um Mantra de Evocação:

“Cthulhu R’lyeh fhtagn”
(Cthulhu sonha em R’lyeh)

Os dois Adoradores se unem neste Mantra, usando seus tambores para acompanhar as os cânticos, formando então uma rede de sons ritmicos para atrair a presença da Deidade para dentro do Trapezóide. O Hospedeiro, entretanto, permanece em silêncio, pois ele ou ela deve se manter aberto/a para a possessão da Força da Deidade Evocada. Para se tornar mais fácil essa possessão, o Hospedeiro deve concentrar toda sua força mental e psíquica em uma visualização da imagem de Cthulhu, e deve tentar se identificar com essa imagem, tanto física quando mentalmente. A posição física adoptada pelo Hospedeiro deve então ser a tradicionalmente associada com Cthulhu, ou seja, sentado, pernas separadas e joelhos dobrados, uma mão sobre cada joelho. Os outros celebrantes devem da mesma forma projectar suas próprias visualizações de Cthulhu na figura do Hospedeiro.

Uma vez que a presença da Deidade se manifeste dentro do Trapezoide (isso pode ser notado com uma queda perceptível da temperatura), o Sacerdote ou Sacerdotisa ira começar a direccionar suas energias para o Hospedeiro através de passes mágickos realizados com a mão esquerda. Isto deve ser feito no ritmo do Mantra – um poderoso ponto focal é então criado no corpo do Hospedeiro, formando uma forte atracção para a Força da Deidade invocada dentro do Trapezoide, e um portal físico para sua manifestação.

No momento da possessão, o poder e a indentidade do Grande Cthulhu serão atraídos para dentro do corpo do Hospedeiro. No último instante antes da possessão total, o Hospedeiro chama o nome do Deus, e o Templo fica em silêncio. Seu poder é radiado pelo  Sacerdote ou Sacerdotisa que segura em suas mãos o Cálice para colectar essas emanações negativamente carregadas (Sonhos de R’lyeh).

Quando os Sonhos de Cthulhu tiverem passado do Hospedeiro (geralmente o deixando mentalmente e fisicamente exausto),  o Sacerdote ou Sacerdotiza oferece as emanações colectadas (via a água salgada) para o consumo, primeiro para o Hospedeiro, então para os dois adoradores para então finalmente participar da comunhão ele/ela mesmo/a.

Após consumarem a Comunhão, o Sacerdote/Sacerdotisa repete o Banimento, retratando o Símbolo dos Deuses mais Antigos nos pontos cardeais e repetindo os respectivos nomes das Deidades. Voltando-se para o Oeste ele/ela declara que o Ritual de Comunhão com Cthulhu está completo e o Templo fechado. Os participantes podem abandonar o Trapezoide, infusos com as energias trans-Yuggoticas do Grande Deus Cthulhu.

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