O Guia Da Luz

Gaia é a deusa grego-romana considerada a Mãe universal, a doadora da vida. A partir dela tudo começou a se formar e ter forma, o mundo começou a se estruturar. Por causa disso ela foi considerada a Deusa Universal da Fertilidade. No princípio era o Caos, nada tinha forma. Logo depois surgiu Gaia, a Terra, que deu sentido ao Caos. Durante muitos anos, Gaia viveu sozinha, mas um dia resolveu gerar um consorte, para que a envolvesse e ela não mais permanecesse só.

Assim, Gaia criou Urano, o céu, que lhe cobria de amor. Gaia e Urano decidiram ter filhos, e os primeiros a surgirem foram os Titãs, os Titânides, os Ciclopes e sobre a Terra surgiram novos Deuses e outros seres, e a vida passou a existir no mundo. Gaia, feliz com as múltiplas formas de vida que surgiam, passou a dividir o seu afecto com tudo e todos. Urano deixou de ser o único amante da Deusa, e ele passou a desprezar os próprios filhos e os prendeu em uma gruta. Gaia ficou enfurecida com os maus-tratos que seus filhos começaram a receber do pai, e então reuniu todos eles para pedir que se unissem para destronar Urano. Todos os filhos se recusaram, menos Cronos, o mais novo, que aceitou ajudar a mãe e tomar o trono do próprio pai. Numa noite, quando Urano foi se deitar com Gaia, Cronos se elevou de debaixo da Terra e castrou seu pai com uma foice previamente preparada por Gaia. O sangue de Urano caiu sobre a Terra e a fertilizou, e desse ato novas divindades surgiram. Cronos libertou seus irmãos e iniciou seu reinado divino. Assim, iniciou-se a Idade do Ouro, um tempo de fertilidade, vida e abundância. Da união de Gaia com Urano nasceram muitos filhos que representavam as forças selvagens e primitivas da natureza, como os rais, trovôes, oceano, etc. Eram eles os Titãs Oceano, Ceos, Crio, Hiperión, Jápeto e Cronos; as Titânidas Téia, Réia, Têmis, Mnemósina, Febe e Tétis; os Ciclopes, monstros de um só olho, Arges, Estérope e Brontes; e os Hecatonquiros, gigantes de cinquenta cabeças e cem braços, chamados Coto, Briaréu e Gias. Gaia foi chamada Gea, Géia, Gaea, Ge, Tellus e de muitos outros nomes. Ela é a matéria, a mais antiga de todas as Deusas. Seu culto é pré-Olímpico e os gregos acreditavam que ela era a personificação de todas as mães, aquela que dava e tomava a vida, aquela de onde viemos e para a qual um dia voltaremos. Foi Gaia quem separou a sombra da luz, o pesado do leve, os elementos e tudo que existe. Ela teria criado o Sol e as estrelas por meio do Fogo. Historiadores acreditam que o culto a Gaia é derivado do culto a Semele, a Deusa Terra dos cretenses, que data de 4.000 a.c. Os gregos acreditavam que Gaia era a própria Terra. Sendo assim, cada pedra, árvore, rio é parte integrante do corpo da Deusa e por isso carrega parte de sua centelha divina e é sagrada.

Mas ela não era somente a personificação do planeta Terra. Gaia era também tudo o que inclui o universo, como a matéria e energia. Era tida como a residência de todos os Deuses e uma Deusa por si só. Isso dá a Gaia a possibilidade de ser a manifestação física do planeta, uma Deusa com uma forma humana e uma força criativa abstracta. Gaia é considerada a grande provedora e nutridora da vida. Toda a criação é mantida e sustentada por Gaia. Ela é a mãe de todos os Deuses, a primeira criadora e ao mesmo tempo a incriada. Homero em um de seus hinos diz:

“Eu irei cantar a criação de Gaia, Mãe de tudo, A mais antiga de todos os seres, Ela alimenta todas as criaturas Que estão no mundo. Tudo o que caminha sobre a bondosa terra E tudo o que está no caminho do mar, e tudo o que voa.”

Podemos perceber então que Gaia não estava associada somente àquilo que vivia sobre a Terra, mas ao que existia na Terra, céus e mares. Gaia também estava associada às profecias e foi a divindade original que reinou sobre o Oráculo dos Delfos. Delfos era considerada o umbigo da Terra, o ponto de conexão onde a vida e a Terra se encontravam e o lugar onde a sabedoria de ambos os mundos podia ser interpretada. Os lugares escuros, como cavernas e grutas, eram-lhe consagrados. Seu oráculo era situado sobre uma profunda rachadura no solo, onde acreditava-se que residia Python, um de seus filhos, que tinha a forma de uma grande serpente, símbolo do conhecimento e sabedoria. Acreditava-se que o vapor subia pela rachadura podia ser interpretado por suas sacerdotisas. Seu oráculo era reverenciado, pois representava a sabedoria da Terra. Como seu casamento com Urano foi o primeiro da mitologia grega, ela também era considerada a padroeira dos casamentos e invocada durante eles. Possivelmente Gaia também tivesse sido uma Deusa da Morte, já que a ela seus filhos voltavam quando morriam ao serem enterrados.

Correspondências

Rituais: fertilidade, abundância, força, casamento, morte, regeneração, fartura, prosperidade, riqueza, saúde, estrutura, base solidificação. Símbolos: globo terrestre, feixe de trigo, pedra. Dia: sábado. Cores: verde, azul, marrom, preto. Aroma: todas as árvores e flores.

Conectando-se com Gaia

Feche os olhos e respire com intensidade algumas vezes. Visualize que de seus pés saem raízes que entram profundamente na terra e absorvem energia vital. Sinta que sua energia é renovada e transformada para melhor quando a energia vital sobe pelas raízes. Estabeleça sua conexão com Gaia, a Terra, pedindo que esta energia sempre esteja disponível para trazer-lhe saúde, revitalização, transformação. Respire profundamente mais algumas vezes e então imagine seus pés retornando à forma original. Agradeça a Gaia e sinta suas energias renovadas.

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