O Guia Da Luz

A ciência oculta afirma que o universo, como espírito e matéria, vida e forma, consciência e veículos, com todos os seus constituintes e habitantes, é um organismo único, uma unidade vivente. Todos os indivíduos são como centros, órgãos ou células de um Ser superior, de quem são manifestação e parte. Estes Seres superiores, por sua vez, são expressões do poder, vida e consciência de Inteligências ainda mais altamente evoluídas. Este sistema hierárquico culmina em um Todo-Ser oni-inclusivo, a soma e síntese de toda a criação, a suprema Divindade, o Ser Solitário.
Como todos os átomos, células e órgãos do corpo humano se unificam nesse organismo, assim todos os seres estão unificados no Poder, Vida e Consciência unos e oni-abarcantes, e seus vários veículos, desde o mais tênue até o mais denso. Tais veículos, por sua vez, constituem o universo visível e invisível, que é criado pelo Poder Uno, sustentado pela Vida Una, modelado, dirigido e transformado pela Inteligência Una, ordenado pela Lei Una e composto, fundamentalmente, de Elemento Uno.
Fisicamente, o universo ostenta exuberante variedade e riqueza de individualidade de seres e formas aparentemente separados. Super-fisicamente, entretanto, começa a ser percebido o princípio vital unificador. Espiritualmente, tudo é visto como o produto e expressão de um Poder deífico, criador, sob a operação de uma Lei imutável.

O princípio da unidade em meio da diversidade é perfeitamente ilustrado pelo Reino dos Deuses. A totalidade das Hostes Angélicas e espíritos da natureza de um Sistema Solar é a manifestação de um Arcanjo Solar de inimaginável esplendor, dentro do qual todos os anjos vivem, se movem e têm seu ser. Deste centro e fonte de sua existência todos emanaram, e a Ele, ao final, todos retornarão.

A TELA DO TEMPO E DO ESPAÇO
Talvez se possa tirar analogia do cinema. Numerosas formas em movimento contínuo aparecem na tela. Se se observar o feixe de luz entre o projetor e a tela, principalmente se a fita for colorida, só se poderão perceber as mudanças de cor, luz e sombra. Por sua vez, estas mudanças são produzidas pela passagem em frente do foco de luz do filme em que foram tomadas as imagens originais. Este filme, ainda que invisível para a assistência, é o fator que determina a natureza dos fenômenos que aparecem na tela. As imagens na tela, as mudanças e os movimentos no feixe de luz, e as figuras no quadrinho do filme, são positivamente numerosos e diferentes. No entanto, atrás de todos eles está a simples luz que produz as figuras, e sem a qual não poderiam aparecer.
Se a analogia — admitimos não absolutamente perfeita — for aplicada aos fenômenos transmitidos ao homem pelos seus sentidos, o universo de tempo-espaço corresponde à tela. O feixe de luz representa a energia criadora emitida de sua Fonte, passando através dos mundos super-físicos para produzir o universo visível. A lente representa a Mente Criadora, através da qual os Arquétipos são enfocados na tela universal. O filme corresponde às “formas” arquetípicas e a luz Simples representa o efeito primário da atividade do Único Poder Criador (a corrente) pelo qual todas as coisas são feitas. Tal como as figuras na tela, o feixe de luz, a lente, os rolos do filme, a luz e a corrente elétrica, são todos parte de um esquema coordenado para a projeção de imagens, de sorte que todas as porções do universo, aparentemente separadas, são em realidade partes de um mecanismo único. A função desta “máquina” animada, carregada de força-vida, é criar, projetar na matéria e por fim aperfeiçoar miríades de substâncias, objetos e seres, previamente concebidos.

ARCANJOS SOLARES
A fim de se manifestar, o Único e Supremo Ser se expressa em três modos de atividade. Três Aspectos, cada um dos quais se pode presumir encontrar expressão como um Arcanjo, apenas levemente menor do que o Ser Solitário. Estes Três são os Aspectos criador, conservador e transformador; potências criadoras masculina, andrógina e feminina: uma dessas forças predominará num dos Arcanjos que as representam e presidem. Embora sejam três poderosos Seres, também são projeções e expressões do Ser Primordial. Estas três Emanações, por sua vez, unem-se em cada possível combinação para produzir uma sétupla auto-expressão da Mônada Divina. Cada uma dessas expressões é representada no Reino Angélico por um elevado Arcanjo, e todos estes são referidos no Cristianismo como os Sete Poderosos Espíritos ante o Trono, e alhures, como os Sete Arcanjos da Presença, os Cosmocratores, os Sephiroth.
O impulso criador brilha qual luz provinda do Uno, através dos Três e dos Sete, para produzir nos mais altos níveis espirituais e sob as leis de número e harmonia, as formas ideais, os Arquétipos de cada coisa vivente, em todos os reinos da Natureza, inclusive o humano e o angélico. Um Arcanjo superintende cada etapa da projeção do Arquétipo. A cada grau de densificação, em cada plano sucessivamente mais denso da Natureza, anjos de Ordem apropriada incorporam o poder e o intento do Pensamento-Vontade-Criador, e o assistem em sua expressão como formas evolucionantes. Este sistema hierárquico impera em todos os níveis, sendo cada um dos grupos inferiores uma expressão de uma só Inteligência superior.
Nos planos astral e etérico, os espíritos da natureza não individualizados constituem a mais ínfima Ordem na Hierarquia das Hostes Angélicas. Em sua resposta meramente instintiva ao pensamento-vontade de seus superiores, e em sua atenção aparentemente sem objetivo, embora inconscientemente proposital, até certo ponto correspondem às várias sombras e cores que se movem no feixe de luz do projetor do cinema, vindo o universo visível à existência como resultado de suas atividades criadoras.
Este método hierárquico de auto-expressão, pelo Princípio primordial e deífico, também opera através de Ordens de diretores angélicos da evolução da vida e da forma, em áreas de diferentes dimensões. Assim, um único Arcanjo preside o conjunto do Sistema Solar. Cada um dos órgãos superiores do Sistema está também sob a direção de uma inteligência de apropriada estatura evolucionária. Nossa Terra, por exemplo, como uma unidade física composta de terra, água, ar, fogo e éter, e de seus planos de vida super-físicos, é um veículo do Arcanjo do planeta. Para este Ser, cada um dos planos ou esferas físicas e super-físicas — sete ao todo — que unidos constituem a Terra toda, é um veículo de consciência. A vasta companhia de seres angélicos solares e planetários é algumas vezes referida como sendo o Exército de Luz e as Hostes do Logos.
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ARCANJOS PLANETÁRIOS
Os Arcanjos ou Regentes Espirituais dos planetas, cada um dos quais mantém um Embaixador e uma “Embaixada” na Terra, têm sido referidos um tanto graficamente como Caracóis Celestes, que se movem com aparente lentidão em suas órbitas ao redor do sol, cada um conduzindo seu planeta físico nas costas, qual uma casa ou casca. Os atributos astrológicos e influências psicológicas, mentais e espirituais de corpos celestes, emanam em muito dessas Inteligências animadoras.
O Arcanjo de um planeta pode ser considerado uma síntese de todos os outros Arcanjos, anjos e espíritos da natureza, dentro do campo planetário. Imediatamente abaixo do Arcanjo planetário talvez se possam colocar os Arcanjos de cada um dos sete planos ou esferas, dos quais toda a substância de cada um é um veículo do Arcanjo daquele plano. Disto se segue que cada um dos anjos aparentemente individuais de um plano é em realidade uma expressão do poder, vida e consciência desse plano como um conjunto, e do seu Arcanjo. A compreensão desta unidade fundamental é de capital importância para se conseguir contato, comunhão e colaboração com os Deuses maiores e menores.
A magia, diz-se, é o processo de produzir resultados físicos, visíveis, determinados pelo pensamento-vontade treinado do mago que encontrou a maneira de comunicar-se com as Inteligências angélicas apropriadas, e conseguiu a sua colaboração. A Magia tem sido, por isso, descrita como sendo o poder de falar aos Deuses em suas próprias línguas.

OS QUERUBINS
A Lei Una também encontra expressão em grandes Arcanjos de Luz e é administrada por eles. Diz-se que são em número de quatro, cada um com inúmeros subordinados em ordem hierárquica, cumprindo a Lei de acordo com o duplo princípio de equilíbrio e de causa e efeito. Estes Quatro são às vezes chamados Lipikas, ou Arquivistas, e outras vezes, os Devarajas dos quatro pontos cardeais, os Governadores do Norte, Sul, Este e Oeste. Estão personificados na religião egípcia como o grande legislador e cronólogo Tehuti e os quatro filhos de Horus: Mestha, Hapi, Tuamutef e Qebhsennuf; no Judaísmo, pelas Quatro Santas Criaturas Viventes, os Querubins, ou às vezes por um simples Querubim com quatro faces – de um homem, uma águia, um leão e um boi – e por vários seres de três ou quatro cabeças, em outros sistemas de angelologia. No Cristianismo, os Lipikas — atribuídos à Ordem de anjos conhecidos como os Guardiães — são personificados como o Anjo Arquivista, que em um grande livro escreve as ações dos homens, pelas quais estes são julgados.

A CRUZ IGNEA
Não é de fácil compreensão a idéia de que diferentes espécies de energia, cada uma com suas inerentes propriedades ocultas, fluem para as quatro direções do espaço, e vice-versa, e que um Arcanjo está estacionado em cada quadrante, como Diretor dessa energia. Em explanação ulterior se pode, pois, dizer que se concebe o Fogo Criador como descendo verticalmente do zênite ao nadir para penetrar a até então substância virginal ou espaço pré-cósmico, como visto diagramaticalmente como horizontal. Uma cruz é assim formada, estando o ponto de penetração na intersecção dos braços. Este ponto no espaço denota o centro do qual surge o processo criativo e construtivo para transformar o caos em Cosmos. Aqui está o sol central. Aqui o Logos, como Inteligência e Poder Criadores, estabelece o Arquétipo ou Ideação Cósmica, da qual tudo se desenvolve sob a lei do Tempo, ou através de ciclos sucessivos.
O pensamento imbuído, o Fogo Criador descendente, irradia horizontalmente do ponto de intersecção principalmente nas quatro direções laterais, ou seja para o Norte, Sul, Este e Oeste, às quais se auto-limita para fins de manifestação. Com os raios verticais existentes, forma-se assim a cruz de seis braços, a qual constitui o centro ígneo do Cosmos resultante. O Cristo Cósmico é simbolicamente crucificado nesta cruz, e isto se reflete na Crucificação do Cristo histórico.
Cada um dos seis raios criadores ou seis braços da cruz, é concebido como possuindo características distintas, que encontram expressão em uma Ordem de inteligências. Então, para cada quadrante são atribuídos uma influência especial e um Arcanjo com suas Hostes Angélicas relacionadas com uma hierarquia estacionada em cada quadrante do Universo, por assim dizer. Cada Arcanjo é também um Senhor de um dos quatro elementos, estando o quinto, o éter, associado ao centro da cruz. Como já ficou dito, estas Inteligências são os Quatro Sagrados das Religiões do Mundo, os Filhos Nascidos-da-Mente de Brahma, e os Quatro Devarajas do Hinduísmo, os Querubins e os Arcanjos de quatro-faces do Cabalismo e Judaísmo, incluindo os quatro animais simbólicos da visão de Ezequiel e relacionados com os quatro Evangelistas.
Diz-se que a ígnea cruz cósmica gira ao redor de seu eixo vertical, como o faz o Cosmos físico ao redor do seu sol central. Este movimento giratório é reproduzido em toda a Natureza como as revoluções axiais, de sóis, planetas e girantes átomos químicos, nos quais elétrons e outras partículas seguem trajetórias planetárias ao redor de seus núcleos. Os Sistemas Solares, agrupados ou individualmente, e seus planetas componentes, também se movimentam pelo espaço, em percursos orbitais ao redor de sóis centrais.
Estes movimentos axiais das revoluções de corpos estelares, solares, planetários e atômicos, são manifestações físicas das revoluções ao redor do Sol Espiritual central, no cubo da ígnea cruz cósmica de seis braços de três dimensões, da qual a suástica é um símbolo bidimensional. A suástica é uma cruz de braços iguais, com pequenos braços secundários perpendiculares aos primários. Estes ganchos, como às vezes são chamados, representam as chamas e chispas que refluem para trás à medida que as ígneas cruzes foháticas giram continuamente durante o Dia Criador.
Os vórtices, cósmicos, nebulares, estelares, solares, planetários e atômicos, vórtices no espaço, turbilhões na matéria — e talvez os chakras de animais e homens — são produzidos por esta vasta circungiração da cruz cósmica do Fogo Criador. “Fohat”, diz-se, “abre sete orifícios no espaço”. Fohat, contudo, não é apenas energia elétrica. É dotado de Inteligência. Em realidade é um Ser, embora inconcebível como tal ao homem, um Arcanjo de Fogo, um Deus verdadeiro. A descida vertical da força ígnea, as radiações horizontais para os quatro quadrantes do campo esférico, a revolução da cruz resultante, a formação dos centros vorticosos no coração e ao longo dos braços da mesma, e a criação e densificação de universos e seus componentes, segundo os delineamentos cruciformes e vorticosos — tudo isto é dirigido pelos chamados Sete Filhos (e Irmãos) de Fohat, os grandes Deuses das seis direções do espaço, os Cosmo-construtores, os Arcanjos da Presença, os Sephiroth.

A CRUCIFICAÇÃO CÓSMICA
O Sétimo, a síntese, o Logos Cósmico, o Sol Espiritual, os Cristos por quem todas as coisas foram feitas, esta entronizado no centro. Ali, por todo o Manvântara, Ele está voluntariamente auto-sacrificado, não em agonia e morte e derramando suor e sangue, mas em êxtase criativo e vertendo perpetuamente força e vida. Os Quatro Poderosos, os Querubins, que são também os Registradores das atividades das Noites e Dias sucessivos, até as mínimas ocorrências das menores vidas, os Lipikas ou Arcanjos do Tempo e da Lei, estão estacionados nas extremidades dos braços horizontais. Estes quatro Seres cósmicos nos braços da cruz horizontal são os matemáticos magistrais, por assim dizer, que compreendem a inconcebível complexidade do sempre mutável e sempre crescente entrelaçamento dos karmas de todos os universos, planetas e seres. Desde que representantes destes Anjos do karma administram a lei kármica neste planeta a fim de levar a efeito o maior progresso evolucionário possível e a mais estrita justiça para cada indivíduo, eles e seus agentes planetários, os karmadevas, devem ser incluídos entre as Hierarquias Angélicas de nossa Terra.

OS ANJOS NACIONAIS
Toda a raça humana é presidida por um excelso Arcanjo, que exerce continuamente uma influência espiritualizante sobre os Eus Superiores de todos os homens. Este Arcanjo da raça humana unifica-se no nível da Vontade Espiritual, ou Átma, com cada Ego humano, e emprestando a cada um o seu poder Átmico, muito mais altamente desenvolvido, lhes intensifica a influência de sua própria Mônada e do Raio desta. O grau dessa intensificação e da correspondente resposta do homem varia através de milhares de séculos, de acordo com o efeito da progressão cíclica e da culminação e coincidência dos ciclos componentes. Não obstante, supõe-se que este ministério continue ininterrupto através de todo o período mundial, cuja duração, em termos de tempo físico, tem-se dito ser pelo menos de cinquenta milhões de anos.
Cada nação bem estabelecida é presidida, de modo semelhante, por um Anjo Nacional ou Arcanjo Potentado. Esta excelsa inteligência está mais particularmente associada com os Egos de todos os cidadãos da nação. Ele se unifica com cada um e continuamente intensifica a força e vida espirituais do Ego. Algumas vezes também envia um impulso até a personalidade para ela agir da maneira que melhor contribua para o preenchimento do dharma e da evolução até a estatura do homem perfeito.
Um anjo Nacional pode ser estudado de dois pontos de vista distintos. De acordo com um aspecto, ele pode ser encarado como um membro das mais elevadas ordens da Hierarquia Angélica, designado para este alto cargo. Nessa qualidade ele opera geralmente do nível da Vontade Espiritual, do qual obtém um completo conhecimento do karma e do dharma de sua nação, e do desenvolvimento ideal para o qual é parte de seu dever guiar e inspirar o seu povo. Seu trabalho é o de estimular a evolução de sua nação e inspirar seus líderes a tomarem decisões no sentido de auxiliar o preenchimento do dharma nacional. Ele procura reduzir ao mínimo os efeitos dos erros e exercer uma influência moderadora, de sorte que a nação não se afaste indevidamente do caminho que a conduz ao seu mais alto destino, ou fracasse em tomar o seu lugar designado na família das nações.
Como já foi dito anteriormente, acima dos Anjos Nacionais do mundo há um Ser ainda mais elevado, que auxilia toda a raça humana neste planeta, de maneira análoga àquela em que o Anjo Nacional ajuda o seu povo particular. Superiores a este Oficial existem, com toda a probabilidade, Anjos interplanetários, que auxiliam a totalidade da humanidade em uma Ronda, Cadeia ou Esquema Planetário. Não há dúvida que este sistema hierárquico se estende até incluir Sistemas Solares, e mesmo Cósmicos, todos ligados entre si por seres angélicos de crescente estatura espiritual.
Quer nos parecer que um método hierárquico algo similar é empregado pelos membros mais avançados da raça humana, que constituem a Grande Fraternidade Branca dos Adeptos, que velam pela humanidade através dos séculos. Há Adeptos responsáveis pela evolução de nações individuais; Oficiais ainda mais elevados que têm a seu cargo continentes, e acima deles, o grande Adepto Governador Planetário, o Rei Espiritual, que é na terra o Representante do Logos Solar. Completa e perfeita cooperação é mantida entre os ramos humano e angélico deste Governo Interno do Mundo. No futuro, à medida que se desenvolverem ordens mais elevadas de consciência e atingir-se um alcance maior da resposta sensorial, os ministros humanos responsáveis pelo progresso religioso, governamental e cultural de uma nação, sem dúvida colaborarão conscientemente com seus superiores espirituais nas hierarquias humanas e angélicas. Então, finalmente, entrará a Terra na há muito anelada Idade de Ouro.
Retornando às condições dos tempos atuais, pode-se conceber o Anjo internacional da Raça como um tecelão que usa como fios as características nacionais, o dharma e o karma das nações do mundo, tecendo-os através dos séculos rio modelo que as nações produzirão segundo o plano mantido na Mente Universal, “o modelo no monte”. Por sua urdidura ele está também reunindo as raças, ajudando a estabelecer a fraternidade humana na terra. A despeito de sua força poderosa e de sua perfeita compreensão do Plano divino, não procura impor a sua vontade aos homens, nem opor-se ao desejo coletivo de uma nação, por mais erradamente que possa ser dirigida num período qualquer. Porque o homem precisa crescer em virtude de sua própria experiência e da evolucionante vida em seu interior.
O outro aspecto pelo qual o Anjo Nacional pode ser estudado é mais difícil de se entender e explicar, porque pertence a níveis abstratos de consciência. Além da vida e trabalho individual do Anjo, ele é também a soma do conjunto da consciência nacional. Nele estão unificados os milhões de Egos encarnados em uma nação, para formar a Superalma nacional. Os três aspectos da vida da nação, o karma, o dharma e a consciência nacionais, se encontram e acham uma única expressão no Anjo Nacional.
Abaixo dos Senhores do Karma, ao Anjo Nacional é concedida certa soma de latitude e controle na execução do karma nacional. Tanto pode concentrá-lo de sorte a esgotar rapidamente certas parcelas, como dilatá-lo por longos períodos. Tem pleno conhecimento da capacidade de sua nação para suportar a adversidade, e da quantidade de karma adverso que ela é capaz de sofrer sem acarretar-lhe grave retardamento evolucionário. É também capaz de contrabalançar o karma favorável com o karma adverso da nação, e de modificar as condições presentes recorrendo ao karma do passado.
Em todo este ministério o Anjo tem em vista o futuro e o preenchimento do dharma nacional. Ele não só empresta a sua própria força, mas também utiliza as capacidades e características da nação, guiando-a para o preenchimento de seu mais alto destino. No reino da consciência Egóica ele está apto a acentuar, em dado período, peculiaridades nacionais, de maneira que a nação, se responsiva, tenda a seguir determinado curso. Se as forças e qualidades de um povo são concebidas como visíveis em termos de cor, então se pode dizer que ele faz uma cor especial ou um grupo de cores, luzir em determinadas épocas com maior luminosidade na consciência da nação.
Tal é, em resumo, a natureza e a atividade de um Anjo Governador. A tradição oculta assinala à Deusa Palas Atenéia, pelo menos até o fim da Idade de Ouro, o encargo de Governadora Arcangélica da nação grega.

ANJOS CONSTRUTORES DE FORMAS HUMANAS
Cada ser humano, em determinadas ocasiões, também fica sob os cuidados diretos de um membro de uma das Ordens das Hostes Angélicas. Cada ciclo de renascimento humano é presidido por membros das Ordens de anjos particularmente associados com o homem. Como foi descrito na Parte I, Capítulo IV, a cada sucessivo renascimento os Egos humanos recebem individualmente assistência especial de anjos responsáveis pela construção das formas mental, etérica e física. Estes anjos operam em parte sob a direção dos Lipikas. A escolha da época, continente, nação, religião, país, acontecimentos e oportunidades, sexo, tipo e condições físicas, grau real ou potencial de saúde e debilidade, tudo é decidido de acordo com a Lei, sob a presidência destas Inteligências e correspondentes Adeptos oficiais. Os diversos karmas, do Ego encarnante, da Pátria, dos membros dos grupos com os quais vai associar-se, de toda a família e do futuro marido ou mulher e filhos, tudo isto é plenamente considerado. O ritmo inerente do Ego-Mônada, o derradeiro destino segundo o temperamento monádico ou Raio, o karma passado, e as missões imediatas e futuras, são todos revistos, e com justiça infalível são feitas as escolhas mais favoráveis dentro das circunstâncias kármicas.
Uma vez que o número de Mônadas que usam a Terra como um campo planetário está avaliado em sessenta bilhões, e que todos os que estão atualmente passando pelo reino humano recebem esse ministério, os Anjos da Ordem responsável pela descida do Ego humano à encarnação estão assim incluídos nesta enumeração da população angélica de nosso globo. A função destes seres é parcialmente descrita no Capítulo acima mencionado.

ANJOS DAS RELIGIÕES
Cada grande religião do mundo possui seu Arcanjo e ministrantes angélicos designados por Altos Oficiais planetários, Adeptos e Arcangélicos. O mais elevado dos Arcanjos das religiões preside os reservatórios de força espiritual estabelecidos para cada Fé Mundial. Eles conservam e fornecem esta força, quando invocada, tendo em vista a máxima eficiência. Cada Templo, Mesquita, Catedral, Abadia, Igreja, e Oratório, devidamente consagrados, é colocado sob a presidência de um anjo da Ordem associada às Religiões Mundiais. Estes conservam tanto a força aquinhoada ao edifício particular como a que é gerada na cerimônia da Consagração. Eles também recebem e dirigem as correntes brotadas da aspiração, adoração e prece humanas, e do poder, força e devoção evocados pelo cerimonial. Além disso, transmitem as respostas da Divindade, do Instrutor do Mundo, das Hostes Angélicas e Membros da Comunhão dos Santos, junto com a energia emanada do reservatório.
O supremo Instrutor dos Anjos e dos Homens, conhecido no Oriente como o Bodhisattva, e no Ocidente como o Senhor Cristo, tem sob Sua direção, diz-se, grandes legiões de Arcanjos e Anjos, que encontram em Seu serviço um contínuo deleite. Em Seu perpétuo ministério a toda a humanidade e aos membros dos reinos angélicos e sub-humanos, Ele envia, segundo suas necessidades, grandes correntes de força, sabedoria, bênção, inspiração, cura e amor. Ele emprega hostes de anjos para conservar, dirigir e aplicar estas expressões de Sua compaixão, plena de amor, por todos esses seres.
Os anjos também assistem aos serviços religiosos, de fins devocionais, e podem-se ver alguns deles flutuando reverentemente na radiação que envolve os Elementos Consagrados. A Cerimônia da Eucaristia está sob a direção de um elevado Anjo, às vezes chamado o Anjo da Eucaristia. No momento da Consagração dos Elementos, um glorioso Ser Angélico parecido com o Senhor Cristo, conhecido como o Anjo da Presença, desce sobre o Altar como Seu representante angélico. Ao cantar o Prefácio, quando se faz referência às Nove Ordens dos Anjos conhecidas na angelologia cristã, que outros não são senão os Anjos Sefirotais, um representante de cada ordem responde à invocação e confere a força, luz e bênção de sua Ordem aos Oficiantes, Congregação, Igreja e adjacências.
Outras Religiões Mundiais têm igualmente a assistência de determinadas Ordens de Hostes Angélicas. A grande cerimônia mântrica hindu, conhecida como Gayatri, atrai força solar e enseja que à humanidade oficiem os Arcanjos e anjos especialmente ligados ao sol.
Todas as demais Ordens cerimoniais, válidas (ocultamente eficazes e aceitas pelos Oficiais Adeptos e Arcanjos), em todo o mundo, e especialmente as que como a Franco-maçonaria, se originaram dos Mistérios Menores ou Maiores, e ainda os representam, também recebem a bênção, a presença e a cooperação dos anjos e Arcanjos.

ANJOS DE ALMA-GRUPO
A vida consciente, evolucionante, dos reinos animal, vegetal, mineral e dementai da Natureza, como já foi explicado, está sob a direção de determinadas Ordens de Anjos. Esta vida não está individualizada, como é o caso do reino humano, onde cada ser humano é um indivíduo plenamente autoconsciente e responsável. Vastas áreas de Terra com seus conteúdos mineral, grande número de árvores, plantas, insetos, e menor número de animais e pássaros, constituem veículos físicos para uma vida específica, alentadora, chamada Alma-Grupo. A evolução da Alma-Grupo atinge sua apoteose no reino animal, em que o número de representantes físicos se torna cada vez menor até que, finalmente, ocorre o processo de individualização — geralmente de um animal doméstico — e nasce uma alma humana. A manifestação e desenvolvimento eônicos são continuamente supervisionados e ajudados por ministrantes angélicos, entre os quais estão os que dirigem o processo da divisão da Alma-Grupo em individualizadas entidades humanas.

O REINO DOS INSETOS
Existe uma Ordem Angélica que evoluiu através do ramo de insetos da Natureza. A Mente Universal contém a idealização de todos os modos e formas possíveis de manifestação. A ideação primordial e o Arquétipo incluem o reino dos insetos em toda a sua imensa variedade. As Mônadas evoluem através desse reino, até se tornarem, por fim, Arcanjos Solares e Cósmicos, associados, conquanto não exclusivamente, com esse Raio criador.
Se este conceito parecer estranho pelo fato de certos insetos serem inimigos do homem, deve-se lembrar que o parasitismo, por exemplo, só é abominável quando o hospedeiro tem consciência do desequilíbrio produzido pelo parasita. Os tipos mais indesejáveis, aos olhos humanos, os transmissores de moléstias, os sanguessugas, não são, em realidade, mais repulsivos do que qualquer outro parasita. Desde que o parasitismo seja o princípio que habilita a vida física a persistir, logicamente não se pode condenar nenhum parasita individual, por mais que se deva resistir às suas depredações, É mais fácil reconhecer-se a divindade inerente aos membros mais inofensivos e mais belos do reino dos insetos, do que a daqueles que parecem feios e são perniciosos ao homem. Para muitos, a beleza das libélulas, das traças e das borboletas teria a sua justificação.
Tal como as Mônadas, manifestadas por outras facetas da ideação divina, são guardadas e ajudadas por seus superiores evolucionários, assim o são aqueles que, quando seus Raios começam a tocar o mundo físico, encontram suas corporificações como milhares de minúsculos insetos. Desde então e por toda a sua trajetória ascendente, que culmina em tornar-se um ser aperfeiçoado e divino em um dos sete Raios, no qual, como todos os outros, é classificável o reino dos insetos, eles serio o objeto de assistência por parte de seus superiores. Atravessam sua existência física e obtêm tudo o que deles se espera, percorrendo esse reino como borboletas, abelhas, escaravelhos, formigas e outros exemplares principais típicos do Raio dos insetos, e prosseguem nos mundos super-físicos, primeiro como espíritos da natureza e depois como rupa e arupa devas, eles ascendem até alturas Arcangélicas, e mesmo além. As Mônadas que passam pelo reino dos insetos e das formas que animam, são portanto de igual importância que todas as outras manifestações, facetas, modos e formas de existência divinas. Presidindo seus Raios, suas Ordens e suas espécies, estão Arcanjos e Anjos, que não somente zelam pela vida subjacente, como também preservam e modelam a forma do inseto para uma maior beleza. Sua presença como guardiães e tutores estimula à ação o natural instinto das numerosas espécies para adotar os hábitos físicos que perpetuam a espécie, os estágios de gestação são atravessados com êxito, o alimento encontrado, o acasalamento é feito e os ovos postos.
O instinto de massa ou memória da raça, que leva cada variedade a adotar os seus adequados modos de vida, é estimulado e dirigido pelos anjos tutelares do reino dos insetos da Natureza. Em alguns casos, em Manvântaras anteriores, eles próprios evoluíram através daquele reino e conhecem bem suas maneiras e necessidades. Tais anjos, por tênues que sejam suas formas, seriam corporificações do aspecto da Mente Una, que encontra expressão e expansão em e através do mundo dos insetos. A Mente maternal, oniprotetora, cuida de sua progênie em cada reino, em parte, envolvendo-a com seu pensamento protetor e diretor, e por outra parte pela assistência de determinadas Ordens das Hostes Angélicas. As Almas-Grupo dos insetos, como também dos pássaros que se corporificam em grande número de formas, estão todas sob a direção de superiores oficiais angélicos, cada qual auxiliado ou assistido por membros mais novos de sua própria Ordem. Sob essa proteção e tutela, todo o reino de insetos, como todos os outros, evolui para estágios superiores, para formas mais belas e maior inteligência.
O desenvolvimento a que este processo conduz nas Rondas e Cadeias que se seguirão à presente Quarta Ronda e Quarta Cadeia, só pode ser conjeturado. Há, por exemplo, a possibilidade, apoiada em insinuações contidas na literatura oculta, de que a mente e a forma dos insetos poderiam atingir um grau de desenvolvimento tão elevado que poderia ocorrer sua individualização e a posterior evolução continuada nessa mesma forma. Isto prevalece na atual ascensão do reino humano para o super-humano, quando a mesma forma física é usada, se é conservada, ou a mesma espécie de forma é assumida se se toma uma nova. É possível que em princípio pareça fantástica a idéia de um inseto, borboleta, formiga, abelha ou escaravelho, ser tão grande ou inteligente quanto o moderno homem se julga ser. Entretanto, se se admite o continuado prolongamento dos processos evolucionários observáveis em toda a Natureza, e a existência e ação da Mente Universal e de suas corporificações angélicas, então, pelo menos, nada há de ilógico em tal suposição. Belzebu, o chamado ou impropriamente chamado Deus das Moscas, pode talvez ser encarado como inimigo da raça humana atingida por certa classe de insetos, mas se imaginado como o Senhor dos Escaravelhos, ou com efeito de toda a vida insetífera, Belzebu, assim concebido, é mais divino do que satânico. É às vezes necessário despir-se de certos preconceitos a fim de ser receptivo à verdade. Isto se aplica especialmente- às idéias populares de conceitos tais como Satã, Moloque, e Belzebu, como diretores de processos e Senhores de criaturas que ao homem parecem diabólicas. Pois o processo involucionário que tais seres imaginários parcialmente personificam, é tão importante quanto o processo evolucionário para o qual é uma preparação. As abelhas produzem o mel e assim alimentam o homem; polinizam as flores e desta forma também alimentam o homem. As abelhas picam por auto-proteção; sua picada é dolorosa e pode ser fatal ao homem, mas não devem por isso ser em si encaradas como diabólicas.

UM DEVA DO REINO DAS ABELHAS
Minhas próprias observações me têm levado a acreditar na existência de anjos guardiães, protetores e diretores das abelhas. Certa vez, quando observava algumas colméias, tornei-me consciente de um anjo muito elevado, estabelecido no nível do pensamento abstrato, cuja aura exibia as cores típicas do corpo das abelhas, sublimadas até o nível mental mais elevado, em intensidade e delicadeza de luz e cor. Esta Inteligência pareceu-me ser agente de um Arcanjo presidindo a existência, consciência, forma e evolução da totalidade das abelhas, neste planeta. Minhas notas, tomadas nessa ocasião, registram que sob este Arcanjo serve uma hierarquia de anjos, que é representada no nível etérico por espíritos da natureza construtores das formas físicas das abelhas. Havia um anjo desses ligado às colméias, de que se fazia este estudo e presumivelmente haveria um em cada colméia ativa. Estes anjos lembram muito outros anjos associados aos reinos subumanos da Natureza, em temperamento e aparência, porém em suas auras predominavam o amarelo, o dourado e marrom escuro. Eles parecem encarar a evolução das abelhas como algo de muitíssima importância, e tomar a sério, embora alegremente, o trabalho de dirigir, guardar e apressar a evolução da consciência das abelhas. Estão em contínuo contato com seus superiores e, através deles, com o Arcanjo planetário ou o Supremo-Senhor das abelhas.
A abelha-rainha em uma colméia mostra-se astralmente como um centro dourado de cintilante luz e cor dentro da aura luminosa da colméia. Ela brilha ali, como um núcleo, e é um centro de vida, tanto super-física como fisicamente. As forças estão continuamente fluindo através dela para a alma-grupo da colméia; consistem de forças-vida de certas energias criadoras eletro-magnéticas, para as quais ela é um centro ou foco na colméia. Estas forças fluem, além do centro, em minúsculas ondulações, e este movimento incessante produz um som super-físico, não muito diferente do zumbido das abelhas. A forma da aura da colméia e da comunidade é a antiga colméia de palha, isto é, uma cúpula com base plana. Cada abelha aparece, na visão super-física, como um sinal ou ponto de luz, sendo a aura da rainha maior e mais brilhante que a de todas as outras abelhas.
O anjo parecia trabalhar especialmente para aqueles a seu cargo que estavam na fase da larva, e exercer uma muito distinta e definida função protetora e orientadora naquele estágio, quase como se as abelhas neste planeta não fossem ainda muito capazes, sem tal auxílio, de passar por todos os processos de crescimento depois da incubação. O anjo também influenciava a seleção, alimentação e desenvolvimento especiais da rainha, e fazia as necessárias ligações entre os átomos permanentes, a super-alma das abelhas e a rainha selecionada.
A consciência da abelha é instintiva, e as muitas evidências de ordenada vida em comunidade entre elas, resulta mais do alto desenvolvimento desse instinto do que da inteligência. Ainda aqui, é de considerável importância o trabalho do anjo de despertar os instintos dos diferentes grupos da comunidade, estimulando o impulso para seguir determinadas linhas de conduta. De modo geral, pode-se dizer que a rainha é o centro de vida da comunidade e o anjo a inteligência diretora. Ele unifica sua mente com a consciência grupai da colmeia, e está até certo ponto preso a ela, submetendo-se a essa limitação por causa do trabalho que lhe possibilita prestar. Fora da colmeia, entretanto, ele dispõe de certa medida de liberdade de consciência, ainda que nos níveis emocional e mental parece permanentemente preso a ela, como se sua retirada significasse ausência de controle e conseguinte desordem na comunidade. Sob esta limitação, não há nenhum senso de restrição; ao contrário, há um absorvente interesse e prazer no trabalho, a alegria do artesão e do artista. O anjo é responsável pelo desenvolvimento tanto da vida como da forma, e é feliz no conhecimento de que está ajudando a aperfeiçoá-los e executando a sua parte no grande plano evolucionário. Tal como as plantas e árvores estão desenvolvendo a emoção, a abelha está desenvolvendo a mente.
A rainha representa a nascente mente superior, abstrata; as obreiras a mente inferior, concreta, e o zangão, o princípio criador. Experimenta-se a atração criadora mais pelo instinto que pelo desejo; existe o sentimento, mas reduzido ao mínimo, como se há muito tivesse sido sublimado.
O anjo de quem procurei esclarecimentos, indicou que as tentativas do homem para cooperar com o seu reino, eram bem-vindas, e expressou a esperança de que pressagiavam a aproximação de uma era de cooperação humana e angélica, na cultura de abelhas, bem como em outros ramos da agricultura. As abelhas, disse ele, corresponderão às iniciativas do homem para unificar sua consciência com a delas, tal como as plantas correspondem, embora fracamente, à admiração e à afeição. Mas há evidente perigo no super-desenvolvimento da cultura das abelhas. Sua organização é maravilhosamente adaptável, mas se elas forem super-exploradas e se tornarem suas colmeias demasiado complexas e artificiais, elas serão prejudicadas. O homem precisa reconhecer a vida evolucionante na abelha, e não encará-la como um mero produtor mecânico de mel para benefício exclusivo da raça humana.
Em outros sectores, outras Ordens de anjos e espíritos da natureza exercem funções análogas e usam a Terra como um campo de evolução e atividade. Algumas delas são referidas em partes subsequentes desta obra. Numerosas outras Ordens de anjos estão usando esta Terra como um campo de evolução e atividade. Nas Escrituras hindus e budistas, na literatura do Cabalismo, e na grande síntese da Ciência Oculta, A Doutrina Secreta, de H. P. Blavatsky, há referências sobre elas.

A LINGUAGEM COLORIDA DOS ANJOS
As formas angélicas são construídas de luz, ou antes, de um tênue material auto-luminoso: para cada átomo de seus corpos, como também dos mundos em que vivem, há uma partícula radiante de luz. A sua forma é muito semelhante à nossa e de fato é construída no mesmo modelo do corpo físico humano. Como se disse antes e se mostra nas ilustrações, assim as fadas e anjos geralmente aparecem como lindos seres etéreos, de contornos semelhantes às formas humanas. Seus rostos, entretanto, apresentam uma expressão que é definidamente diferente da humana, porque estão marcados com uma impressão de energia dinâmica, de vivacidade de consciência e vida, com uma certa beleza celestial e uma expressão que raramente se encontra entre os humanos.
A aparência dos anjos é também notável à visão humana, devido à atuação da energia dentro e através de seus corpos e suas auras brilhantes. Eles podem ser considerados tanto agentes como artífices das forças fundamentais da Natureza. As forças que controlam e manipulam estão continuamente passando através deles e irradiando, produzindo, enquanto fluem, um efeito que se assemelha um tanto à aurora.
Distintos centros de força, vórtices e certas linhas de força claramente definidas, são visíveis em seus corpos. Na descarga áurica são produzidas formas definidas, as quais, algumas vezes, dão a impressão de uma coroa sobre a cabeça e de asas estendidas, de cores brilhantes e cambiantes. Os remígios áuricos, entretanto, não são usados para o voo, porque os anjos se movem rapidamente através do ar, à vontade, com movimentos graciosos, flutuantes, e não necessitam apoios para voar. Os antigos pintores e escritores, alguns dos quais parecem ter tido vislumbres dos seres angélicos, aparentemente tomaram essas forças fluentes como sendo seus vestuários e asas, e assim os pintaram como vestidos com roupas humanas e mesmo puseram penas em suas asas.
Como seus corpos são formados de luz, cada variação no fluxo da força produz uma mudança de cor. Uma mudança de consciência é instantaneamente visível, como o é uma alteração na forma e cor de suas auras. Um transbordamento de amor, por exemplo, as cobre de um fulgor carmesim, enquanto que, como complemento, uma brilhante corrente de força amorosa, rosada, se projeta ao encontro do objeto de sua afeição. A atividade mental aparece como um jato de luz e força de cor amarela, saído da cabeça, de maneira que, frequentemente, eles aparentam como que coroados de um brilhante halo de luz — uma coroa de ouro que é o seu pensamento, engastada de muitas joias, cada joia uma ideia. Talvez seja esta a origem de um de seus títulos no Hinduísmo, Chifra Shikhandina, “a crista resplandecente”.
Todos os fenômenos de emoção e pensamento, que denominamos subjetivos, são objetivos para os anjos, como também para os homens dotados de visão super-física. Os anjos veem, pois, os processos do pensamento, emoções e aspirações, como fenômenos externos e materiais; porque eles vivem nos mundos do sentimento, pensamento e intuição, e vontade espirituais. Suas “conversas” produzem mais cores do que sons. Um sistema de simbologia é incluído em seu sistema de comunicação, símbolos e lampejos de cores sempre aparecem nos mundos super-físicos, como naturais expressões do pensamento, tanto humano como angélico. O senso de unidade da Vida dos anjos é tão intenso, que cada pensamento seu expressa um aspecto da verdade fundamental da unidade. Isto dá às suas conversações coloridas uma profundidade e beleza que não se encontram na troca comum dos pensamentos humanos. São incapazes de um conceito sem propósito ou inverídico ou que falhe de algum modo em expressar aquela inerente divindade, de que nunca perdem a consciência, e que ilumina e inspira a todos os seus pensamentos e necessidades. A este respeito, sua linguagem colorida se assemelha um tanto ao antigo senzar, no qual cada letra e sílaba é a expressão de uma verdade básica. Todavia, ao contrário daquela antiga língua sacerdotal — produto de mentes profundamente inspiradas — a linguagem mental dos anjos é instintiva e natural, não necessitando esforço consciente de sua parte na escolha e manifestação da cor, forma ou símbolo.
Um anjo que na ocasião me instruiu mentalmente quanto ao seu reino, também forneceu exemplos de comunicação angélica e da operação da lei, segundo a qual a matéria super-física assume forma e cor apropriadas, em resposta ao impacto do pensamento. Duas dessas instruções são aqui transcritas, de notas então tomadas. Necessito, entretanto, primeiro explicar que os arupa devas são no mais alto grau impessoais, impassíveis, desprendidos. Sua consciência é universal e exclusivamente devotada às suas tarefas. Não estão normalmente acostumados a sentir qualquer ligação pessoal. Os rupa-devas associados com a evolucionante vida da Natureza, tanto quanto sei, usualmente não experimentam nem expressam a emoção do amor pessoal. Suas mentes são universais e seus “corações” pertencem à Vida Una, da qual são corporificações impessoais. Alguns rupa-devas, entretanto, podem ser encarados como encarnações das qualidades de amor, compaixão e ternura divinos por todas essas vidas, e estes sentem, de uma maneira sublimada e impessoal, um senso de unidade entre si e com o homem. Como indicam as descrições seguintes, sua força de amor pode temporariamente ser dirigida a pessoas, mas sem o mais leve traço de personalismo e posse.
Certos espíritos da natureza no limiar de sua individualização no reino angélico, principalmente os associados com os elementos do ar – fadas e silfos — podem sentir-se atraídos pelo homem que possui o poder de entrar conscientemente no seu reino e de comunicar-se com eles. Sua submissão a esta atração raramente é completa, e mesmo procurando atrair o objeto de suas afeições, usualmente não concebem relações permanentes. Tais associações estreitas, mentais e emocionais, com seres humanos, podem-lhes ser úteis, mesmo que sejam muito prejudiciais ao seu parceiro humano. Para eles a consecução da individualização pode ser acelerada pela fusão de sua natureza mental e emocional com a de um ser humano individualizado, mas para o homem, tal aventura poderia conduzi-lo à insanidade.
As lendas medievais, em que silfos e outros espíritos da natureza, em seu proveito próprio procuram, e mesmo alcançam, uniões com seres humanos, são provavelmente mais alegóricas que históricas. A união física demandaria materialização da parte do silfo, o que é muitíssimo improvável, e se conseguida, muito rara. Parece ser mais provável tratar-se de uma referência velada feita ao valor evolucionário para tais espíritos da natureza de estreita associação física e colaboração com membros da família humana.
Existe uma tradição oculta de que, como uma exceção a essa impessoalidade, que é característica dos devas altamente evoluídos, íntimas ligações egóicas foram formadas com seres humanos, as quais se tornaram mesmo tão fortes que fizeram o deva procurar e obter admissão no reino humano, a fim de ficar perto do amado ser humano. Segue-se então o nascimento em corpo humano, e quando ocorre o encontro físico com o amado, em ambos se desperta um amor muito profundo. Tão forte é esta emoção, que, no caso de existirem barreiras convencionais, elas são ignoradas. Frequentemente, o resultado é a tragédia.

UMA CONVERSAÇÃO COLORIDA
Enquanto descansava no jardim de meu chalé, em Gloucestershire, observei o instrutor angélico que passava a grande altura no espaço, e lancei-lhe uma saudação e um apelo mental por mais conhecimentos relativos às Hostes Angélicas. Prontamente ele interrompeu o seu “voo” e desceu a pique no jardim. Enquanto descia, enviava uma corrente de amor, como resposta, irradiada da região de seu coração, em forma de raios de cintilante rosa e luz carmesim. Este efluxo de amor assemelhava-se a uma flor, pois os lados da forma funicular que ele produzia, eram divididas em pétalas, e no centro havia uma brilhante “rosa” dourada, que ia-se abrindo toda, gradualmente, à medida que o anjo se aproximava. Esta “flor” pulsava ritmicamente, e as linhas de forças que a compunham, tremulavam como se ele vertesse sua afeição e força-vida. Assemelha-se a um glorioso Deus grego, em cujo peito havia uma rosa desabrochada. As radiações, semelhantes a pétalas, estendiam-se até mim, sendo o diâmetro máximo da flor cerca de oito pés. Um contínuo jogo de forças, brilhantemente coloridas em faixas de tamanhos e graus de luminosidade variados, também brilhava acima da cabeça do anjo.
Um outro anjo, de cor principalmente azul, logo apareceu, e os dois entraram na “conversa”. Enquanto “falavam”, suas auras se dilatavam reciprocamente, tocavam-se e afastavam-se, como asas de borboletas celestiais. Estavam distantes cerca de vinte e dois metros um do outro, e pouco acima das árvores frutíferas do pomar. A natureza fluídica de suas auras se demonstrava na facilidade com que eles as expandiam para cobrir o espaço intermediário. “Falavam” com seus corações e suas mentes, pois na matéria emocional e mental apareciam cores e símbolos, a maioria das vezes acima de suas cabeças, mas também reluzindo entre si com brilho e rapidez muito além de minha capacidade de observar plenamente e anotar com exatidão. 0 principal tema do primeiro anjo encontrava sua natural expressão através do verde suave e pálido, às vezes observado no pôr-do-sol de verão, aparecendo continuamente este matiz nas faixas de cor acima de suas cabeças, e no símbolo formado. Também tingia a maior parte de sua aura, sugerindo as qualidades de simpatia e compreensão.

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