O Guia Da Luz
Estamos vivendo uma época em que nos damos conta de que durante séculos o valor real da água como a verdadeira forma do feminino foi negligenciado. Por milénios a humanidade reverenciou o elemento fogo, o filho do Sol. O fogo é uma manifestação do masculino no planeta Terra, e a água é o aspecto feminino. Na nossa história, fogo significou riqueza, potencial, capacidade de forjar ouro, massacrar e queimar impérios, conquistar territórios, cruzadas e caça às bruxas; e continua a ser usado como elemento de impacto e poder. Desta maneira, civilizações imperiais governaram com desdém pelo equilíbrio entre os elementos água e fogo. Este último, como relativo ao Sol no planeta Terra, tornou-se a celebrada força do elemento masculino de força e poder, e as águas, elemento feminino, lenta mas consistentemente foram depreciadas e poluídas.
Hoje as nossas águas estão em estado de profunda crise e nós humanos reflectimos esse estado em nós mesmas. Sem dúvida o ciclo da vida está a ser desafiado enquanto o aquecimento global acelera, barragens estão a interferindo com o fluxo da natureza e até mesmo o rio Amazonas está experimentando secas.Igualmente, a saúde e o bem-estar interior da humanidade está experimentando pobreza espiritual e existencial. Desordens mundiais como a ansiedade, depressão, esquizofrenia, insônia, vícios e personalidades maníacas são resultado da crise interior. Desordens femininas como a TPM extrema, fibrose, cancro de útero, infertilidade e cancro da mama são apenas alguns exemplos que refletem a luta do sexo feminino para encontrar equilíbrio e saúde num mundo moderno afastado da natureza. Esta crise é resultado da falta de harmonia entre os humanos; homens, mulheres e a sua relação mútua e consigo mesmos, a natureza e os elementos. E mais especificamente o desequilíbrio da água e do fogo nas nossas vidas.

O princípio do feminino no planeta Terra pode ser encontrado no fluxo das águas. Os lagos, rios, tudo o que flui, acumula, nutre e eventualmente origina o oceano. Nos textos Védicos é dito que existem sete tipos de águas: nascentes, corredoras, rios, lagoas, lagos, aquíferos e o mar. Por exemplo, os lagos e lagoas representam o ventre, os rios e as cachoeiras a fertilidade e virilidade das águas e os oceanos representam o líquido amniótico. Os mares e oceanos são conhecidos em muitas tradições com a mãe das águas, também conhecido no Brasil como Yemanjá.

O elemento água é o sangue do nosso planeta, os rios são as veias da Terra e por natureza, as mulheres cuidam e abençoam a água. O princípio feminino é nutrir, manter seguro, como a mãe segurando e alimentando seu bebé. Ao nutrir o seu ventre, as suas crianças, as mulheres efetivamente nutrem as águas e a si mesmas. Portanto, as mulheres têm a responsabilidade de agir como guardiãs das águas. Toda água que flui traz a marca da nutrição, da mãe e da cuidadora.

A natureza do feminino é muito similar a um cristal. Cristais são condutores de energia, assim como as mulheres. Mulheres são geralmente mais sensíveis que homens, elas absorvem e transformam a energia, como uma mãe que cuida de seu filho com leite do seio. Da mesma maneira, pensamentos e emoções são absorvidos e armazenados nos nossos corpos através das nossas águas, como o nosso sangue que leva nutrientes para as células e órgãos. A água é um condutor e portanto precisamos de tomar cuidado com os pensamentos que colocamos na água pois ela pode absorvê-los. Quando absorvem e não libertam, as nossas águas podem ficar fisicamente desequilibradas, resultando em desarmonia ou doença. Então, para reestabelecer a harmonia, é preciso aprender a equilibrar as emoções e estar consciente de que estamos poluindo as nossas águas interiores com pensamentos negativos.

Então para cada gole de água que sacia a nossa sede e limpa os nossos corpos, deve haver um ato recíproco. Um ato de devolver é um agradecimento em uma tentativa de harmonização das nossas águas internas e externas.

Pensando positivamente quando cozinhamos, ou quando movemos as nossas águas internas através da dança, ou ao cantarmos e vibrarmos durante o banho. Compreender que toda a água que usamos foi usada pelos nossos ancestrais e será usada pelos nossos filhos e que portanto devemos honrar a linhagem e a continuidade da vida.
Com o tempo podemos reintegrar o ciclo da água nas nossas vidas, seja através de um estilo de vida sustentável, coletando as águas cinzas ou sabendo de onde vem a nossa água potável. Assim, o nosso conhecimento torna-se mais consciente do design sagrado da vida e das leis da natureza. Para homens e mulheres poderem também compreender que a cozinha, para uma mulher, é o ponto central da família e o altar vivo do equilíbrio alquímico da água e do fogo.

Uma crise planetária da água revela-se de três formas: água contaminada, falta de água e excesso de água. Nos nossos corpos, a água poluída manifesta-se como raiva, falta de água relaciona-se com tristeza e o excesso de água é o ciúme e ganância, todos levando a tormentos e desequilíbrio. Para quaisquer formas de turbulência sobre a água que falemos, o antídoto são a oração e as boas ações.

O primeiro passo para harmonizar o papel do divino feminino é recuperar as nossas águas. Como humanidade, temos de reclamar as nossas águas. Numa jornada interior para curar e garantir águas tranquilas é importante integrar a si mesmo nos ciclos naturais das leis do universo. Num nível ambiental é importante estar segura de onde vem a nossa água potável, como foi tratada e para onde fluirá depois. É a responsabilidade pessoal com a saúde interior e sua manutenção, para que então possamos ser úteis na preservação e continuidade da comunidade. A oração no dia-a-dia, significa balancear as águas internas e externas permitindo a nós mesmas honrar e ouvir a fluidez das águas femininas.”

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