O Guia Da Luz

Para que serve, mesmo, a reencarnação? Responderão os espíritas: para aprendermos em várias “vidas” o que não podemos aprender em apenas uma. Mas, aprendemos mesmo, evoluímos? E o tal “véu do esquecimento”, para que serve? Na postagem abaixo, procuro expor minha visão sobre reencarnação e sobre o “esquecimento” das lembranças do passado das almas.

Cito os espíritas logo no início porque este grupo de religiosos (sim, religiosos) é que está em maior evidência no Ocidente quando o tema gira em torno da reencarnação. O próprio termo “reencarnação” tem origem bem recente, apesar de este fenômeno ter sido conhecido por quase todas as religiões e sistemas filosóficos antigos por outros nomes, tais como metempsicose, entre os pitagóricos e neoplatônicos.

Por séculos, o fenômeno da reencarnação esteve proibido no Ocidente cristão. Com o advento dos avanços científicos e a impotência da Igreja diante da obviedade dos fatos, surgiu o Kardecismo como movimento “esclarecedor”, trazendo as mensagens do “Espírito da Verdade”, dentre outros. Na chamada Codificação Espírita, maçons de várias procedências se tornaram arautos do que diziam ser uma mensagem defitivamente “libertadora” para suplantar as superstições. Em parte, cumpriu com seus objetivos. No entanto, enquanto o movimento se alastrava entre os ricos e aristocratas, os pobres se contentavam em imiscuir-se com mistificações grosseiras.

O fato que tomo como evidente é que a Codificação Espírita veio, apenas, substituir as velhas ilusões da beatitude sempiterna ou do tormento infernal, imediatas à morte física, pela servitude em prestações a perderem-se de nossas vistas, em milhares e incontáveis “reencarnações” expiatórias, probatórias ou missionárias na Terra. Ainda assim, normas estabeleciam-se para os “devedores”: não poderiam sair deste planeta enquanto não pagassem o “último ceitil”. Ainda mais: não se lembrariam daquilo pelo que pagam, devendo “confiar” que recebem “ajuda” para cumprir o que não sabem que devem cumprir.

Que liberdade há em pagar-se por aquilo de que não tem-se Consciência? Como pode haver mudança de Consciência e, portanto, de vibração, se a mudança advém do conhecimento das causas e dos efeitos que é sonegado à Alma, deliberadamente? Acaso, fazer padecer tal alma é útil, além de sua pura experiência da dor? É este ciclo (como a Roda de Samsara) sádico ou apenas uma forma de controle das massas?

Não, não vejo liberdade em fazer algo como cegos bêbados o fariam, tateando, aqui e ali, para não caírem na lama. Quanto tempo levaria uma alma que reencarnasse assim para efetivamente evoluir, sem contar com a capacidade de levantar o tal “véu do esquecimento”? Ainda que consiga levantá-lo e lembrar-se de suas origens ancestrais, isso  lhe é vedado, a princípio, pela conformação “normal” do ser humano, imposta a nós todos. A tal capacidade de lembrar-se de vidas passadas muito pouco tem a ver com a “vibração” da alma encarnada, pois vemos, por aí, muitas almas caridosas ateístas e descrentes da realidade da reencarnação, enquanto muitas almas vis e comerciantes de oráculos têm facilmente seus chakras desenvolvidos para todos os tipos de dons “paranormais”, inclusive para a vidência do Passado.

Os espíritas, em coro, repetirão a Codificação, alegando que “véu do esquecimento é como um alívio temporário para a alma, que em nada progrediria se estivesse cônscia dos seus erros e crimes, bem como das mágoas que a separaram dos que hoje são seus entes queridos”. Ou seja, insistem na patacoada de que se trata de Caridade. Isso seria válido se os seres humanos só fizessem ~porcaria~, em todas as suas encarnações. Mas, acaso não seriam igualmente redentores e lenientes para a alma humana os bons feitos que tivesse ela empreendido, as boas ações para com seus inimigos ancestrais e as que  seus atuais inimigos lhe tivessem proporcionado no passado? Não seria, portanto, a Verdade o único meio efetivo de reconciliação entre as almas e de efetivo exercício do livre arbítrio? Não há Caridade aceitável longe da Verdade.

Nas atuais circunstâncias, não há livre arbítrio na Terra. A liberdade é simulada de antemão, controlada. A alma não escolhe coisa alguma, apenas opta por qual destino miserável deverá ela padecer, de forma submissa, como escrava ou “gerente” de outros escravos, defendendo, servilmente, os interesses dos Estados e das elites do planeta, do plano físico e extra-físico. Este planeta é uma gigantesca prisão, onde são despejados, era após era, contingentes inteiros de almas “intocáveis” de outros orbes, exóticas faunas de criminosos e livres pensadores.

A alma humana, ao chegar ao “mundo” espiritual (holográfico), vê passar diante de sua mente, como num projetor (novamente, como por um holograma) tudo o que tenha feito durante a encarnação recém-terminada e, imediatamente, é compelida a aceitar um “acordo” pelo bem de seus “progresso” e da “queima” de seu karma. Em seguida, é obrigada a optar entre algumas poucas configurações físicas para seu futuro corpo de padecimentos, arbitrariamente calculadas segundo um padrão de causa-efeito. Se não aceitar e se rebelar contra a “justiça divina”, a alma recebe, como “prêmio”, um tour pelo Umbral, uma sucursal do “inferno” chancelada por entidades trevosas a castigar os criminosos vis e os rebeldes. Desse tour, a alma não volta até que aceite, “humildemente”, os termos de um novo “acordo” reencarnatório ainda mais severo.

Então, a alma, após aceitar o “acordo” (ou, como queiram, programa reencarnatório), recebe um choque (ou pulso eletromagnético) que lhe apaga todas as lembranças — não apenas da encarnação anterior, mas de todas as outras encarnações prévias —, num processo muito semelhante à lobotomia cerebral ou fragmentação de personalidade. Aliás, isso é muito usado aqui mesmo, no mundo físico, por algumas agências (CIA, Mossad, MI5 e antiga KGB) para forjar escravos “monarca”, agentes com múltiplas personalidades que cometeriam crimes sem lembrarem-se do que fizeram, logo após o evento. A seguir, falsas imagens e comandos hipnóticos são inseridos nas almas despersonalizadas, programas para serem e viverem aquilo com que, supostamente, teriam acordado. Por fim, o comando seria: Esqueça de lembrar!

Diz-nos a Física Quântica que a Realidade só existe enquanto possa observada. Logo, a Alma não pode ser cobrada por aquilo de que não possa estar consciente, nem passar por uma pena sem conhecimento da mesma. Nossos corpos trabalham, e o trabalho dignifica o ser humano. Mas é nosso precioso tempo que nos é sonegado, já que a passagem do Tempo, por sua memória, nos é sonegada.

Almas sem memória não sabem de onde vêm, para onde vão, em que (ou quem) confiar. São almas controladas e confinadas em uma prisão mental, como gado num pasto com cercas invisíveis, castrados e violentados repetidamente. No fim das contas, nossos corpos apodrecidos servem a larvas astrais imundas, tendo osso fluído vital alimentado vampiros por décadas a fio e nossa Consciência anestesiada pela ilusão de que a Caridade é onipresente e supervalorizada.

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